
Nota: você pode ler este mesmo texto (e um parágrafo a mais no início), com a vantagem de manter
a fotogetia (fotografia) de Gia sempre visível na tela do seu computador, clicando AQUI. Depois dessa
leitura, para voltar a esta página, sugiro o uso da seta "voltar" de seu browser. - CCDB
No livro ao qual pertence, a ilustração não contém o nome deste site. Foi necessário que eu colocasse
tal nome sobre a própria ilustração, porque estava sendo divulgada por sites de terceiros
sem minha autorização nem informação da fonte. - CCDB 04-02-2008
Espreitado atentamente pelo bio, Clausar focaliza a imagem
de Gia; como fica a um trezêmbilho de seu posto, é boa para se
perscrutarem os detalhes. Entretanto, o enk quer ver mais inteiro o
todo antes de se aprofundar nas partes; assim, sai da posição
orientada a sub-z (a frente da Laranja) e roda o sólio de comando
por um quarto de volta à direita, pondo-se de costas
para a luz da vigia sub-x (esquerda).
O dono da nave regira mais outro tanto a
cabeça e os olhos, totalizando cento e oitenta graus no boreixo z
(ré), e inclina-se para trás na poltrona, de forma a não interceptar
o reflexo. Clausar pode agora observar a um e meio trezêmbilho
real mais três trezêmbilhos virtuais, lá dentro do espelho de
enerfrátax, a imagem de Gia reduzida às proporções ideais para
integral visão da beleza plástica - isso, na medida do possível para
uma excelente fotogetia e para a perfeita superfície refletora...
O bio calcula a trajetória e o foco do olhar geóctone.
Clausar não raciocina em palavras. Volta-se de novo para a
imagem original e percorre cada linha do corpo da kena com os
olhos. Os demais sentidos ecoam a visão e provocam emoções,
como se o enk pudesse tocar e perceber cada reentrância e curva.
Eis a fotogetia, descrita sempre com base na esquerda e na
direita do observador. Gia posara de joelhos sobre o centro da cama
larga. - Sim! Houve cama antes do sofá... Era de madeira de lei, para
casal, e o colchão cobria-se por claro lençol, estampado com
ramagens crestadas da estação fólhia.
Voltada um oitante para a direita de quem vê, braços
flectidos, cotovelos elevados, cabelos sustidos nas mãos por trás da
nuca, fronte alta, face e olhos na câmara, seios apontando o ar, anca
empinada para a esquerda e pernas entreabertas, Gia foi fotogetada
pela frente e de corpo inteiro à altura do ventre, iluminada por duas
fontes laterais retrovertidas. Quase saturado de luz, o contorno da
silhueta destaca-se contra o fundo nu e alumiado da parede bege,
os veios marrons das três tábuas da cabeceira e o tom mesclado do
lençol, sem projetar sombras. Estas, foram guardadas só para
acariciarem a kena e alinham-se-lhe na vertical pelo centro de
simetria da face, do tronco e das coxas, salientando os relevos e
cada detalhe. É positiva obra de arte, a melhor fotogetia de Clausar.
As formas de Gia têm plástica especial, só vista em algumas
kenas representantes puras das mais evolvidas estirpes de Géa.
Com certa diferença: Gia possui genes das três raças principais do
planeta e - como dificilmente ocorre antes de longa têmpera - seu
corpo exprime com perfeição só o melhor de cada, combinando-lhes
as tendências.
As concavidades sutis e a cor alva da pele provêm da
linhagem nória, originária das extensões geladas do Nórus. As
convexidades das etnias mais antigas seriam próprias aos músculos
masculinos mais brutos, insuperáveis nas explosões das carreiras
esportivas e nas lutas de enkilismo; em Gia só existem nas ancas,
herança da ascendência ventúria da avó Manh'Um, oriunda das
planícies onde impera o ventura ventura rex, das matas onde reinam
os enktropóides, e famosa por atrair a atenção dos enks em demasia.
Na neta não há exageros: mesmo essas curvas se harmonizam e dão
excitante remate. Exagerado, só o todo da beleza!
Cada jovem músculo da kena é definido, feminil embora
protuberante, com a elasticidade, a precisão nos movimentos e a
resistência às longas marchas encontradas na casta nória. Se
observássemos o músculo correspondente ao bíceps braquial
humano, veríamos o contorno formar-se por linhas retas, vários
laivos côncavos e nenhum muito convexo. Ainda assim, Gia tem
força bastante para carregar nos braços três cestas cheias de
mantimentos, em passo rápido pelas ruas do Rio de Luminância.
Os deltóides, estes são magníficos! Pela gênese e pelo treino
em menina - pois tirava água de poço e a carregava em baldes por
trilhas de colinas - Gia tem os ombros mais perfeitos entre as kenas,
e as costas a fio de prumo com a nuca.
No contraste obtido por Clausar, uma linha mais funda e contínua
desde
os seios desce, passa entre dois feixes musculares verticais,
inclina-se para a direita ao longo do ventre iluminado, segue pelo
umbigo
perfeito e prossegue até dentro da peça inferior
do biquíni.
No percurso não há qualquer variação na ótima espessura
da camada de tecido macio entre a pele e os músculos; o corpo
inteiro é revestido desse brando estrato. Gia não se parece com as
kenas massafilistas: seus músculos só se definem mais durante a
ação; em repouso, predomina a compleição suave do todo. Fibras
de elasta, ao mover-se faz inveja às bailarinas de Rêmia.
Peito e ventre voltados para a luz da direita, dorso e anca
para a luz oposta, penumbra no meio em direção ao observador, há
vigor e delicadeza no formato do tórax e massa tesa nas coxas e nos
quadris. Géon no colo e sombra na axila esboçam nítido limite sobre
o bico do seio mais próximo, depois sobem, inclinam à esquerda e
bosquejam o músculo peitoral, estendido ao braço levantado. O
esplendor circunda a anfractuosidade umbrosa e sem pelugem, toca
a raiz do tríceps, desce beirando o flexor do omoplata, quase morre
nas costas e triunfa radiante no cordão apertado da veste mínima.
Todo o corpo é gizado entre a sombra central da imagem e
a luminosidade do contorno, em ambos os lados. A nitidez exibe até
as marcas deixadas na pele tenra pelos apertados cordões do sutiã,
elevado pela pressão dos rígidos seios, ao empinar-se Gia para a
direita da cena. O porta-seios, em suma, é portado por eles...
Esse corpete compõe-se de dois esticados e diminutos
triláteros brancos de pano elástico, incapazes de conterem toda a
forma, cosidos pelas pontas internas das bases horizontais. Finos
cadarços do mesmo tecido partem dos cantos inferiores externos,
cruzam-se nas costas, retornam ao peito e enlaçam a costura dos
triângulos, bem entre as pomas. Duas finíssimas alças prendem os
vértices superiores, atando-se por detrás do esguio, retesado, altivo
e longo pescoço, apropriado suporte para a cabeça divina.
A cabeça de Gia é pequena, como nas fêmeas em geral, e
delicadíssima. Possui formato alongado, típico da raça lúmida,
habitante das regiões do Lúmen, sem o achatamento frontal nem os
malares exagerados de alguns exemplares. A face combina à
extrema perfeição as três raças, muitas vezes suscitando perguntas
gentis e suposições sempre imprecisas sobre sua origem alóctone,
principalmente feitas pelas kenas dos clientes de primeira visita. Da
raça lúmida é também a extraordinária flexibilidade de todo o
corpo: genes iguais aos de seu esqueleto seriam disputados por Kys
pretendentes a renascerem contorcionistas...
O decantado matiz de rosa da pele de Gia foi fielmente
reproduzido na fotogetia e está longe de ser homogêneo. Mãos,
antebraços, pés, pernas, interior das coxas e ancas são extremamente
rosados, como na pura raça nória, já às vezes puxando ao vermelho.
Colo, braços, ombros, costas, exterior das coxas e certas partes do
rosto trazem o soládico e bronzeado verniz da mistura entre nórios
e ventúrios. Em mínimas superfícies da face, há retoques de tom
lúmido: sombreiam os olhos e exibem o colorido oriental de estátua
dourada pelos antigos habitantes do país Kéfer, o arcano. Importante
detalhe, apreciado por Clausar: quanto mais reentrante é cada
região do corpo de Gia, mais clara, mimosa e rósea é a tonalidade.
Há magníficas kenas exibindo oposto contraste nas raças ventúria
e lúmida; para Gia, fica melhor tal como é.
Clausar impressiona-se com os músculos adutores longos e
com os gráceis das coxas de Gia. Poderíamos chamá-los de
tesoura, sem exagero! Encontram-se em ângulo agudo nas virilhas,
onde só há espaço se a kena deixar. Seu ápice pode esmagar e até
cortar as intenções dos espíritos aventureiros...
No baixo ventre distinguem-se as protuberâncias dos
músculos oblíquos entre o abdome e o quadril: lembram aquelas
três linhas de força dos olhos de Gia.
A parte inferior do biquíni demonstra a qualidade dos
tecidos produzidos em Rio de Luminância; a cidade é famosa pelas
praias e não desmerece a notoriedade quando fabrica trajes de
banho. A peça está no limite de elasticidade, posto resista às formas
cheias das ancas. Tem desenho simplíssimo, sem laços, num só
artefato. A largura mínima resume-se em dois fios singelos, apertados
sobre as saliências ilíacas. O lado superior do triângulo frontal da
calcinha comprime-se esticado sobre a tensão dos músculos ventrais:
salta das protuberâncias da bacia, toca de leve o retesado abdome
e forma dois pequenos vãos; duas pontes, uma de cada lado. Sob
elas, todos os olhares masculinos procuram fluir dedos imaginários...
Porém, é na união das coxas entreabertas onde se encontra
o apogeu da arte fotogética de Clausar - e dos predicados físicos de
Gia. Ali, a direção da luz e a posição da câmara dessegredam o
gênio, provocando contrastes e nuanças só concebíveis pela
observação direta: a melhor descrição dará tons pálidos à excelência.
Bem iluminada, a superfície branca do tecido triangular
esmaia em cinza na ponta inferior da calcinha e realça a elevação
pubiana, de encaixe ideal para a concha da mão do enk - ou do
homem afortunado, jamais admitido.
Lá de cima, à sinistra, desce pelo braço o contorno luminoso
até as costas de Gia, destacado contra o fundo claro da parede. A
faixa luzente declina, marca a feminina cintura, alarga-se bastante
com entretons na anca e contrasta com as tábuas da cabeceira da
cama. A orla de luz estica-se de través pelo fio apertado da calcinha,
continua pela esquerda para baixo, estreita-se novamente e demarca
na sombra frontal da coxa semilevantada os feixes vigorosos do
espesso quadríceps. O géon prossegue seu risco sestro, até alcançar
o joelho, encostado sem afundar na maciez do colchão; a kena se
firma no outro, debuxando suaves linhas radiais no lençol.
Vistas um pouco do alto e de lado sob plena claridade, as
pernas, dos joelhos aos tornozelos, projetam-se para trás e à
esquerda, apoiadas horizontalmente no colchão, e a da direita
emoldura-se no vão triangular entre as coxas. Os róseos volumes
dos músculos gêmeos são bem cheios, e os delicados pezinhos
mostram só os calcanhares, voltados para cima.
A coxa à sinistra aparece por fora, iluminada pelos dois
lados e com a frente na penumbra; tem a concha sobre o nervo
pudendo na sombra, com ótima profundidade e forte contraste
entre o branco triangular da calcinha e o claror vertical do músculo
sartório - aquele, belo, estreito e extenso, desde a ponta dianteira
do quadril até a parte interna do joelho.
Aberta em ligeiro recuo, a coxa à direita exibe o contorno
frontal externo lúcido e a superfície interior umbrosa, com a mais
sutil pincelada de fótons aplicada atrás, sobre a semi-oculta nalga,
pelo toque magistral do enk - igual o Sol doura prelúcios crescentes
na face semi-anular da Lua - para entrepernas sublinhar o segredo,
uma coxa contrastando à outra, e capturar a absoluta perfeição da
selvagínea forma.
Embaixo, onde o fundo é o brilho do lençol, as partes coxais
internas têm os contornos obumbrados; em cima, contra o castanho
das tábuas da cabeceira, têm o vértex delineado em lume.
Ali, onde macho encontra fêmea; onde na imagem comum
só há escuridão, está a mais rica penumbra cercada pelo mais
límpido traço soládico de géon, contraposição de recurvados
triângulos claros e escuros, cruzamento de radiações e trevas. Ali,
no movimento félida do instante enjaulado, nasce a verdadeira Luz!
- Bravo, Clausar! Bravo, Gia! Um humano os saúda,
admirado!... A fotogetia é suprema; perdoem-me por ousar
radiografá-la com a Alma e pintá-la com a língua!
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