VÍDEOS - assista aos vídeos demonstrativos da compra de tempo de leitura em CCDB Livros, único lugar onde se podem ler os livros de CCDB!

Tal como Nem plágio nem coincidência, esta vem sendo a página mais visitada deste site.

Esta página é primeiro lugar em pesquisa do Google!

 

Você gosta poesia?

Então eis amostras das poesias que encontrará no escrito Géa! Eu as dedico a meu pai, César Dias Baptista (na foto ao lado) - vate súpero a Ars, o maior poeta do Universo, casado com a maior pianista do Cosmo.

Romance Sem Palavras, primeiro exemplar, dedicatória do autor, César Dias Baptista, a sua esposa Clarisse e ao filho de ambos, CCDB

Nesta ilustração de Geínha, parte de uma poesia de meu pai.

Pelos dois links logo abaixo, leia a crônica de César publicada no Jornal "O Dia" (de São Paulo), contendo sua poesia "Lua redonda, redonda..." completa. Essa poesia e todas as de 1954 (o primeiro dos dez anos que meu pai publicou uma crônica por dia na série "Amanhece o Dia") acham-se no livro "Amanhece o Dia", lançado pela Editora Bartira. Tenho em minha casa dez livros com recortes de todas as crônicas de meu pai, um livro para cada ano de publicação. Somente o primeiro ano foi republicado em livro.

Escolhi esta poesia de meu pai, para mostrar nesta página, porque ele sempre a declamava - e ela inda me soa nos ouvidos com sua voz magnífica. Reouvi-a ontem à noite, recitada para mim pela própria Lua. Cheia, de um redondo cálido, dourava mais o meu lar que as luzes frias da rua. - CCDB 09-02-2009

Clicando nas miniaturas logo abaixo você verá em alta resolução e bem legíveis as páginas 55 e 56 com a crônica e a poesia "Lua redonda, redonda..." completa.

Poesia "Lua redonda, redonda..." página 55
Poesia "Lua redonda, redonda..." página 56

OUÇA O PRÓPRIO CÉSAR A DECLAMAR SUAS POESIAS!

Gravações CCDB de 1969-1970 - aqui também Clarisse ao piano, Celso Dias Baptista ao violão e Mutantes.

- CCDB


POESIAS DE GÉA E GEÍNHA

TODAS DE AUTORIA DE CCDB

NOTA DE CCDB: na magna obra Géa, a diagramação do texto imita-lhe o conteúdo. Aqui, tal trabalho gráfico não me é possível e infelizmente se perde - mas está lá! ao seu alcance.

PALAVRAS ALIENÍGENAS: nos textos e poesias de minha autoria, extraídos da obra Géa, os quais você pode ler abaixo, há palavras de idiomas alienígenas. Todas elas estão traduzidas no Livro Treze de Géa, que você pode baixar de CCDB Livros, onde também poderá ler Géa completa e os outros livros de minha autoria e de meu filho RDB. Na página Os Novecentos Verbos de Nu acha-se a tradução de numerosas palavras desses idiomas, que podem servir para a leitura dos textos abaixo.

SUGESTÃO DE RDB (Rafael Borges Dias Baptista): para ler melhor o texto abaixo, você poderia reduzir (botão do meio, no canto superior direito da tela) a janela onde vê esta página e estreitá-la com o mouse. Assim, haverá menos caracteres por linha, e o movimento dos olhos é muito facilitado. Nota de CCDB: a sugestão de RDB data da época inicial deste site, quando esta página inda não estava formatada na largura correta - conservo a nota como recordação de uma das inúmeras contribuições de RDB para com este site. - 23-02-2011

POESIA E PROSA: nesta página, quem manda é a Poesia; há poesia na estância metrificada, mas também nos parágrafos da prosa, cujos textos escolhidos soam como a Guitarra de Ouro, fruto, assim como eu, da Poesia de meu Pai, César Dias Baptista (foto e poesias no cabeçalho desta página), e de minha Mãe, Clarisse Leite Dias Baptista. - CCDB 28-11-2011

Estas poesias e muitos dos textos de Géa (e mesmo doutros livros de minha autoria), que soam como poesia, poderiam ser transformados em letras para canções por qualquer músico interessado em colaborar, nos termos da página principal deste site. - CCDB

 

SOLÍFUGOS OLHOS

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(Capítulo Solífugos Olhos, página 1999 de Géa, versão não-ilustrada)

(este texto não metrifiquei; mas, de tão poético e verdadeiro, resolvi inclui-lo aqui. Talvez você o sinta feito eu, que sempre choro, ao lê-lo).

-----Início do texto extraído de Géa-----

Sisudamente dizem os mitólogos: “Os deuses criaram os mortais.”. Não seria o contrário? Não teriam os homens e os enks criado seus deuses para habitarem as alturas e os abismos? Não haveriam os gregos criado o Olimpo; e os hédeos, o Extasium?

Sejam os mortais os criadores dos deuses, ou dê-se o inverso; e se Clausar não tem mérito algum na gédia, hoje faz jus a um crédito ao menos: o geóctone acaba de criar nova deusa para morar de lúmia no Extasium e de cromat no Tenebrium, o Inferno dos hédeos.

Só quando Clausar se deita, a nova deusa é benévola, e o triomega liberta-se-lhe da influência; todavia, quando Clausar acorda, a déia encrudelece e, malevolente, mantém-se-lhe ao lado feito a mais implacável das sombras, a atiçar-lhe o lumaréu de dor.

Sem mais nem menos, a divindade foi criada por Clausar no estato quando seus írios fitaram outros írios; e esses írios eram os seus próprios, e estavam no semblante de Ky; e esses írios diziam agéo, na cor do mais profundo mar de Géa. Desse estato em diante, Clausar livra-se da deusa de lúmia, pois pode sonhar com Ky, e é perseguido por ela de cromat, porquanto precisa lembrar de Ky.

Súbito, Clausar conscientizou tão nítida e vera a presença da entidade recém-nascida, a ponto de lhe dar um nome: Saudade. E esse nome não satisfez o nomeador, pois saudade é coisa morta: aos poucos se decompõe e desaparece, qual os cadáveres.

Saudade igual a de Clausar não está morta: é gédia; está viva! Saudade viva cresce feito as crianças e torna-se adulta, forte, vigorosa! Mesmo assim, um cromat a saudade viva envelhece e morre. Porém, a saudade de Clausar não morreria jamais: é imortal! Por isso se tornou uma deusa, a nova deusa! E como não era bem saudade, pois não podia morrer, Clausar inventou para essa deusa outro nome, e esse nome contém a rima de saudade com eternidade; traz gosto de saúde, sal e ternura; é coisa de Sul - southern - e não tem idade, pois é eterna. A deusa passou a chamar-se Sauternidade...

Sauternidade: a Deusa da Saudade Eterna.

Sauternidade ostenta nome comprido, mas seus devotos - se assim devemos chamá-los - possuem todo o ritmo dos mundos para pronunciá-lo. Como não? Devemos sim, chamá-los devotos! Quem a conhece pode dizer o contrário; entanto, não quer separar-se dela: Sauternidade porta-lhes o mais doce sofrer!

Sauternidade talvez sempre haja havido. Entretanto; por junto melíflua e nefasta; parecendo dúplice, e revelando duas faces verdadeiras; é tão enérgica de modo a - quem sabe? todos até hoje terem evitado denominá-la. Clausar foi o primeiro e, por esse ato corajoso, merece ser considerado criador da diva.

Sauternidade é poderosa! Basta enunciar ou recordar-se-lhe o nome; e pronto: sente-se um aperto no coração; as palavras saem-nos entrecortadas; e a letra, já trêmula, arrasta-se-nos, trépida!

Seja bendito o teclado do computador, onde o escritor e o textor conseguem corrigir os erros e apagar os caracteres trocados uando - perdoe-me Leitora! Leitor! não sou capaz de corrigir a Verdade! - quando a divindade põe a cáliad - desculpe! - a cálida mão sobre a nossa, e volvemos os olhos e os írios a sua imabem... imagem lúcida, e ela sorri, e subri, e depois nos deixa por mais algum tempo, algum ritmo, para permitir os retoques no texto e a descrição de seu rosto, onde entreluzem, para mim e para Você, írios de mar profundo... os mesmos írios de Clausar e de Ky!

Se Wolfgang Amadeus Mozart escrevia de uma só vez e sem erros as suas obras, então jamais teve o desditoso privilégio de conhecer Sauternidade! Porventura a Deusa estaria longe da Terra de 1756 a 1791, às voltas com Penta Ro Bolinei; ou confinada na França, lecionando tudo ao Marquês de Sade, de 1740 a 1814...

Sempre existira, ou fosse desde quando nasceu, Sauternidade adquiriu diversos poderes, entre os quais o de refletir a cor dos írios de quem se ama (ou belda) e para sempre se vai; e para sempre se perde, feito esmeralda no fundo do mar profundo. Para Você; Leitor, Leitora; qual é a cor dos írios de Sauternidade?...

Sabe? Pensando bem, tanto faz a cor... em todos os casos possui um matiz especial, um fulgor líquido de pranto; e as lágrimas têm o sal marinho, são o próprio mar; e o mar é profundo, da cor dos írios de Clausar, de Ky e de Sauternidade...

São passadas duas mil páginas. Devo prosseguir, Leitora, Leitor, pois não tenho todo o tempo do Universo para contar-lhe a história de Géa. Gostaria de tê-lo; contudo, igual a Clausar (e acaso a Você), Sauternidade só me permite ser eterno quando me entrego inteiramente a Ela e quando sonho com Quem Lhe volveu meus solífugos olhos e se foi, empós dezesseis primaveras...

Sauternidade! A Ti dedico dezesseis sofridos parágrafos! Dezesseis anos de minha desesperançosa vida; eu, gêmeo de Artrus! Não fulmina - oh, Deusa das Deusas! com tua lisérgica Luz, este dedicado servo, até estar concluído seu trabalho! Até acabar esta infinitesimal pintura de teu acinético domínio, envolto em tuas ácidas unhas: a inacabável Géa!

NOTA DE CCDB

Conforme o Teorema de Clausar, existem inúmeros planetas semelhantes a Terra e a Géa. Em vários desses orbes há diversos escritores escrevendo a respeito de Géa, e alguns fazem parte da Irmandade Galáctica. O conjunto de suas obras interplanetárias iniciará um movimento assaz salutar para os mundos de civilização incipiente, melhor os preparando para o ingresso na comunidade da Via Láctea, a Kycla, e daí para muito; muito além.

O texto do capítulo anterior, “SOLÍFUGOS OLHOS...”, deveria pertencer a um desses livros. O autor é amigo meu, desde nossos primeiros contatos coa Ordem. Esse amigo escreveu o capítulo em questão, e resolveu não o publicar no próprio livro, para manter segredo de seu imenso amor e pungente amargor.

Ao ler o esboço da vasta obra, o capítulo retirado agradou-me sobremaneira; entristeci, ao vê-lo destinado ao reciclador e pedi-o para inserir aqui. Obtive o privilégio, sob condição de meu amigo não ser identificado, nem mencionada a esfera onde habita.

Preferi só contar a Você, Leitora, Leitor, a verdade sobre a origem do capítulo nesta página, seguinte às de sua leitura, para dar-lhe a mesma sensação de empatia vivenciada por mim ao ler o original, em contato direto com o autor; e, não, com intermediários. Por esse motivo aparecem os nomes dos gregos, do Olimpo, de Mozart e de Sade em lugar dos autênticos, e adaptei o texto para parecer meu.

Solicito-lhe o perdão pela manobra aética. Mesmo assim...

Lê, Leitor! Nalgum Universo, tua imaginação destorcerá galáxias, conformando-as às figuras de teus heróis, e tu serás Deus! Por ora, vai treinando coas nuvens...

-----Fim do texto extraído de Géa-----

Você pode crer-me o autor do texto "Solífugos Olhos" e um mentiroso na frase "Preferi só contar a Você, Leitora, Leitor, a verdade sobre a origem do capítulo nesta página.....". Ou pode acreditar em estados d'alma superiores às barreiras do "eu", nos quais somos outrem, somos até mesmo todas as outras pessoas e seres - e talvez esteja inda mais perto daquela verdade. Também pode imaginar-me impossibilitado de dizer a verdade sobre Clausar, Ky e Sauternidade e confessar-me autor do texto. Em qualquer dessas ou de outras hipóteses, o texto in se é a Verdade... e sempre quando o leio me faz chorar deveras. - CCDB

Veja uma das ilustrações em que Sauternidade aparece .


A POESIA SINCOPADA DA GUERRA

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(também este texto não metrifiquei; todavia, a partir do ponto onde Clausar começa a visualizar a guerra, se você o declamar com estro, notará um ritmo sincopado extremamente poético e que se presta té à música).

Há um espelho retrovisor PÁRA-LUZ, automaticamente ajustável, montado na linha de mira do canhão AGEER principal: quando algum objeto suspeito ou identificado como oégea aproxima-se por trás, fora do campo de visão normal do atirador, esse espelho retropanorâmico abre, reflete a imagem do objeto, inclui o colimador com dados para o tiro, e sua diafanidade varia conforme a emergência.

O enk faz a inspeção de rotina; e eis, entre os itens, o espelho retrovisor. Ao abrir-se-lhe, plena, a superfície refletora virtual ante o rosto de Clausar, este vê-se... e sofre súbita mudança no estado de atenção. Deixa os írios perderem-se; divergirem ao infinito, onde nada existe senão formas baças; e o reflexo duplica-se: agora são quatro írios, aquém do vértice focal. O cérebro reage, acha ponto firme de convergência; os quatro írios tornam-se três... e o írio do centro evidencia-se: sua excelsa nitidez supera, pérvia, a prévia experiência do enk e surpreende-o. Agindo ao contrário da Criação do Universo cantada pelos antigos lúmidos, o Quatro resume-se no Três, o Três abrevia-se no Dois, o Dois colapsa no Um; e, por trás do Um, está o Impalpável: o Nada; o Tudo. Clausar recorda-se dos livros devorados na juventude, onde o terceiro írio é comentado por místicos; lembra-se das visões de nímio fulgor do KSE; e, mesmo assim, o írio central no espelho PÁRA-LUZ tem certa géa distinta, a presença até então jamais percebida pelos sentidos exteriores; o írio fala e, quando fala, identifica-se: é o dono da Voz Interior, é a soma da percepção dos dois írios físicos coa apercepção, íntima, do processo visório, e conserva-se ali; cada vez mais firme, fixo, real e poderoso; onipotente como se também incluísse, nos círculos concêntricos do diafragma íris cor de mar profundo e da pupila negra, não só o símbolo de Géo, mas o legítimo Ser Infinito; e inclui!

O írio central tem completo equilíbrio: aparece numa cavidade penetrante entre os contornos simétricos, à esquerda e à direita, de dois narizes, e estes se perdem no foco imperfeito da periferia, onde o par de írios originais continua a existir, em plano secundário. O írio do meio não tem os agudos cantos externos dos írios comuns e não pode iriar de soslaio, só de frente; termina de ambos os lados em fossetas lacrimais; e, se chorasse, inundaria o Cosmo. O írio não pode ser denominado “terceiro írio”; Clausar sente isso, chama-o triírio, e esse nome ecoa na mente poliglota do Galáctico, traduzido em neologismos de muitos idiomas, inclusive o português: triolho. O triírio nada tem de terceiro: é uno e trino simultaneamente; abstrai o ritmo; é único e primaz; conquanto seja um, é estereográfico e traz a surpresa da revelação; qual se, no fundo de um estereograma apresentado feito novidade a alguém, surgisse, aos poucos, até se firmar, suprema, a verdadeira imagem do Eu; e Eu fosse, como é, a transcendência do autêntico Géo, em Autoconsciência Absoluta.

Clausar quamnum tinha visto coisa alguma ou a si mesmo tão bem! Pela primeira vez a visão satisfaz-se per completo, no írio; e a Voz do írio prenuncia a guerra. Como se fossem todas iguais, a Voz recorda as expedições passadas. E com a Voz vêm as cenas, as sensações, não apenas, as ânsias das discordâncias, à ampla visão do Galáctico. O enk relembra os rompantes, dos comandantes, com suas perfeitas frases de efeito; vê coronéis, de veneta, predicarem a oficiais nos quartéis, e baioneta calarem, e falarem, ulularem, cortantes, aos circunstantes, reclamarem batalhas ferozes, onde pululem mortalhas atrozes, vilipendiarem os vícios, conquistarem seus objetivos, sem quaisquer motivos, ufanarem-se do erro, do trunfo, para alcançarem o triunfo, pelejarem pela peleja, praticarem crimes sublimes, e falecerem lutando; vê as esquadrilhas voarem, no rumo das armadilhas, estradas desorientadas, onde trôpegas tropas tropeiam; vê rapaziada mandada, à carnivoraz emboscada, surriada; vê fuzilarem andarilhos, maltrapilhos, detrações às convenções; vê blindado, incrementado, esmagar couraçado, antiquado; vê do primeiro as oégeas, do segundo perfurarem as égides, vê mísseis, oriundos deste, ricochetearem naquele; estranha os estratagemas, os temas do estrategista; aberra no submundo, fecundo, das bugigangas, da guerra, divisa divisas nas mangas; ira-se coa situação, da prostituição forçada, da esposa e mãe descasada, da filha aflita, esfaimada; escuta refrões vitoriosos, alados orfeões lastimosos, onde paranóicas vozes teoses heróicas solam, psicoses, prontas a perecerem; vê oficiais, em suas festas, mandarem o recruta às florestas; voa em reconhecimento, e ouve, nesse momento, do monomotor o lamento; mergulha sobre o tormento, escapa à metralha sonora, mapeia a base invasora; eria coragem nos brados, genk ficando pra ir-se, morrendo nos prados, detendo a voragem; sente grassar letargia, no magno exército idiota, e percebe a maior valentia, do húmil precito patriota; retrai-se contra a maranha, e ver o traidor o revolta, se mostra a orreta secreta, na volta e ao rés da montanha, guiando as falanges estranhas; fascina-se com tanta tática, do defensor diligente, se atrai repressores ingentes, pulando as trincheiras ocultas, pra delas surgir insepulto, seu destacamento de vulto, e seus antagonistas, estultos, caírem sem mínimo indulto; entusiasma-se com as respostas, céleres, dos comandantes, célebres, aos labrostas informantes: “- O inimigo vem qual maremoto sobre as gias baixas! - Então lutaremos em traje de banho!...”, “- Cairão igual túrbia de írias! - Cozinheiro: esta lúmia teremos írias no espeto!”. “- Arrasam e comem nossas plantações como praga de insetos!”. “ - Próximo plantio semearemos telárias!...”; freme coa grande perícia, dos capitães a malícia, cruzando esses mares, relheiros, matreiros contratorpedeiros, perseguindo, rindo, bailarinos submarinos, com lestas ogivas ativas, artes evasivas; vê transações intrusivas, de sabotagem, explosivas; vê seqüestros, rastros, deserções, estafas causadas por medos, estros, lampejos de enkismo; escuta discursos, recursos, ditatorial governismo, negam fatos, armamentismo; avalia a relatividade, de toda belicosidade; ausculta textores, fatores, das imortais odisséias, descobre os ardis literários, sumárias prosopopéias: valorizam seus adversários, visam correligionários; segue a contagem do ritmo, ao longo das cenas verazes; admira os caracteres fortes, às vezes vorazes; subri dos boçais linguajares, dos rígidos militares, da mangação da caserna; acompanha os preparos eternos, da fria campanha moderna; avalia a possibilidade, da felicidade na guerra; estuda as habilitações, de quem vai às difíceis missões, a lídima história de feitos, defeitos desfeitos, da língua a versatilidade, os vãos da personalidade, o alvo anormal do sucesso; vê matadores gerarem guerreiros, punhais enkcidas virarem espadeiros, bandido assumir liderança, esquecer os portões de poupança, arrombar os portais dos rivais; vê drogados desalentados perseverarem, e de resolução suportarem, pra lá do seu último alento; bambeia a estrutura da mente, então quase cai louco, demente, ao se transfigurar combatente; vê as flores fragrantes brotarem, dos veros valores rorantes, no fétido lodo da guerra; verifica os planos, os mapas das serras; estuda estratégias, maquetas completas; procura escondidas escutas; lê a lei do pior entre os casos, e acaso só mata inocentes; espia espiões; avista vistas imprevistas, tempera-se nas tempestades, cisma sismos; contrasta ataques, as sanhas e as manhas, do valente e cruel oponente; põe a guerra na métrica, cética; impõe do inimigo a estética, aética, a moralidade esquelética, e o topa na mesma verdade; vê soldados abandonados, pelos fardados já retirados, cansados de assassinar de longe, esgotados de retalhar de perto, fartos do feio faro fúnebre, prontos pra titubearem, e ante o ofensor se deixarem cair direto ao nadir, varados por lâminas flâmeas, contra o petroso menir; vagueia, tonteia, em círculo; pela selva enleia o corpo na teia, dos ramos das trônquias gigantes, na gafa, da emocionante estafa; sente os odores das drogas, a freqüentarem ferinas feridas, a curetarem consciências, a desmembrarem verdades, arrancarem falsidades, metidas na mente abatida, ciências, para enganarem captores; cheira esse odor de gangrena, morena, imagina os horrores, das dores, das cacetadas, dos torturadores, ocultos nos bastidores, sobre as varizes; vê narizes dos defrontantes, nos elegantes tuteios de dantes; não há mais fótoma em punho, duelam de canhão na mão; os dois derradeiros guerreiros, na luta final, sem o bem, sem o mal; quem vencer sobre-resta, e avalia a valia, da contumaz covardia, a estupidez doentia, da intrepidez vazia; e admira a bravura, de quem simula cordura, para iludir o inimigo, e salvaguardar os amigos, só pra sobre-sofrer.

Clausar tenta respirar, interromper a prolongada experiência, e não consegue. Lá de dentro, a Voz mussita: - Aguarde; há mais.

O Galáctico ajuíza a fealdade rígida, a hígida ingenuidade, das fardas em bardas, prontas a passaportes darem, aos ingentes e fortes agentes, e os disfarçarem; horroriza-se com o som de um tiro, no coração da Beleza, viva, esquiva, quando a espiã ruiva é morta, mesmo sem certeza, e coa vã gargalhada da Guerra; pra ela, não é bela a carne; sim, saborosa; pesa a capacidade, se a autoridade lesa, julga a pulga; glosa o inventor, da firmamental fortaleza, impedido de entrar na base, tal a esperteza: o bandido lá penetrou, e a trancou; treme coa regressiva fase, dentro do detonador, motor de plásticos explosivos, bombásticos; atesta à festa dos praças, no centro das graças, à buzinação dos navios, às acrobacias macias, das aeronaves tardias, à exultação dos triunfantes; soluça, com nó na garganta, perante a expressão da amizade, bastante, só, tanta, bem forte, mui além da morte; contrasta com o medo o heroísmo; fuça, vê findarem trezentos, basta, o segredo é altruísmo, para barrarem oitocentos, milhentos, cruentos; quase enlouquece ao pensar, sobre a doidice da guerra, se é bisonhice matar, se é inútil, fútil, ou se a lide tem dirimente, e decide: é premente, deve ser feita, quando a saída é estreita, para a sobrevida, como na Natureza, na selva, na relva, na quente matéria da artéria, com sua defesa; hesita na perplexidade, conflito de pessoalidade, conexidade, ínguas da dificuldade das línguas, das costumeiras barreiras, dos povos beligerantes, mutantes; pára e ampara no ar, o flácido general, moribundo, calvo, rotundo, alvo, e o perro confessa o erro, gabarita a miséria, espirita a matéria; vê plácida vesperal, zona de serenidade, azes de ases audazes se divertindo, indo, vindo, transvestindo, lindo, na tona da saudade, teatralizando tragédia, inédia, comédia, nédia, rindo de verdade, para olvidarem a era, de ares amenos a menos, duradoura guerra, sonharem pazes vindouras, gozarem quimeras, lembrarem o passado, pais, esposa, filhos, raposa, lar deixado, e do lugar a nobreza, do bosque, onde rola aspereza; parola consigo, perigo, se essa harmonia seria a calmaria fria, do írio do hurakyklôn, senão bonança perversa, de antes da majestade, da avança da tempestade; acena e a cena versa, pro tombo do corpo louro, detido, partido, desdouro, levado pelo suicídio, dissídio, excídio, e o rombo, com tiro no céu da boca; vê do outro lado o lúmido, o ventre dilacerado, úmido, aberto com seu facão, por certo, na obrigação, de honra, desonra; salta de pára-quedas, a altas medas, missão treinada, presta, comando na floresta; quando há cilada; escapa do acidente, à socapa, furtivamente; nos lestes agrestes; milita no coleguismo, dos mílites do alpinismo, nas trilhas das guerrilhas, e freme com o ardor temerário, das fêmeas mais aguerridas, garridas; perambula pelo enkikome, improvisado; pula o mangue de sangue, contaminado; tem fome; nauseia coa feia cadeia; respeita quem nega até, a seita de cega fé; estafermos, mas recuperam os enfermos; comemora o namoro na guerra, onde a rosa decora o imo foro, odora mais forte, e de cujos escombros, sujos, cinéreos, etéreos, morte medra na altura dos ombros, na pedra, no prado florido, estrutura o ferido, amorna nas primaveras, de veras ternuras, deveras, canduras entre as panteras; aplaude, encanta-se, recanta a gesta; carrega com desassombro, no ensombro, os heróis bem acima da testa, à enfesta; enfrenta os dilemas, de profanar os esquemas, as íntegras regras; é fácil tergiversar, para evitar alçapremas, às vezes molestas, funestas; vê passar lá no alto o vulto do Deus da Guerra, em seu carro guiado por Medo, escoltado pelo Terror; e a cada patada golpeada, pelos ékulos flamejantes, nos cúmulos ribombantes, atroam tropéis, coam rastos de sangues, no azul taful, como langues pincéis, azucrinando o fruto bruto dos uirapitangues; e a esteira das crinas inteira se esfuma; e rincham os corcéis, e pecam, defecam bolas de esterco; elas incham no cerco, sobre as cidades, soturnidades; o vivo excremento rola, abrasivo, pelo cimento; cola, campeia, imola; o adubo pubo planeia; o estrume organiza, gere; controla o chorume, digere a ojeriza; e as fezes são comestíveis, revezes, munição, combustíveis, pra perpetuar o profundo mar nauseabundo, e situar os cativos ativos, no campo de concentração imundo, podre odre infecundo, chamado mundo!

Clausar sacode a cabeça e estapeia-se no rosto. Lento e lento lhe volta a imagem do triírio. O írio absoluto atenua-se e reaparecem, aos lados, os outros dois. Enfim, de três, os írios no espelho refazem-se quatro. O foco retorna do infinito para alguns centitrezêmbilhos; o enk envesga e vê outro triírio, estranho, aparentemente maléfico; desenvesga e revê sua face, tesa e pasma.

Tudo isso foi a guerra do passado, por demais apresentada, representada e reapresentada nos livros e nas seqüegéticas, onde todas as guerras se parecem. E as guerras atuais? As guerras não eclodem mais entre mundos, como prenunciaram os velhos e bons livros de ficção; sim, entre nações interespíricas e interdimensionais.


HABITO MUITO ALÉM DAQUELA ESTRELA

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(esta, sim, é poesia "de verdade"...)

- Desencantam-me as telas dos túneis... Telas das derrotas... Prefiro divagar... devagar... Hum... Pervago, alucinando de novo.

- Como são essas alucinações, Criador? Posso ajudá-lo?

- Maw! Tóxico do abisso; zúnias inexistentes! Não salte sobre elas, Enk da télia redonda! Palpajar-lhe-ei quando forem reais; então, assalte-as! Mawmawmaw.

- Obrigado, aos dois. As alucinações estão em tudo, bio. Cada distante aglomerado de espiras é a mão gafada de tempestuoso gigante a estender-se-nos; cada espira, um dactilograma brilhante do monstro, impresso na lava torva do céu; cada íria, um rútilo poro entre as dobras cuticulares da polpa do polegar imenso. E o vórtice é o olho oco do ciclope terreal Polifemo, desolhando o Universo, reabsorvendo-lhe o poder da visão, para reconstituir a vista vazada!

- Não posso deixar de admirar-lhe a expressão, Clausar! Brilha, qual esférulas de pérolas; ilhas na vida das ostras quérulas!

- Maw! Ambos parecem recitar versos de télia do Kytelária! Já experimentou poetar, Enk da télia redonda? Poetar assim:

 

Não, como os jovens poetas,
A casarem amores com mortes;
Sim, qual antigos profetas,
A esbanjarem desígnios das sortes?

 

Mawmawmawmawmaw...

- Profetas, poetas, estetas; lunetas, paletas, obras completas; jacamins-de-costas-pretas; escorropicha-galhetas, oligoquetas; pega-varetas, poliquetas, porta-baquetas; tetas, tretas e mutretas!

- Isso não vale, bio! É truque de computação sem intelecção! Quer enganar-me e a Tóxia? Ela, sim, fez a estrofe correta!

- Perdão, Mestre Clausar... Seu discípulo é um fracasso!...

- Sua poesia resume-se em arrebanhar vocábulos de terminação semelhante, por meio de máscara de consulta ao banco de dados. Ao menos, trocou-lhes a ordem alfabética, no começo. Mas, melhorará: como intelector tem quase tudo pra versificar...

- Maw! E suas alucinações? Conte pra nós! Mawmawmaw.

- No fundo de mim, sou atirado para trás no ritmo...

- Assim não, Mestre: em poesia! Ensine-me como se faz!

- Pois bem, meus amigos. Por este fio de cabelo (pois não uso bigode ou barba), sacrifico-me aos deuses Cores e imploro-lhes a chama; porquanto aprendiz; e, não, mestre; eis quem sou.

Ao eriar o invitatório do enk, Tóxia tece entre suas duas primeiras pernas esquerdas uma lira de télia e põe-se a tangê-la com as duas primeiras pernas direitas, extraindo sons suaves, dignos de acompanharem as odes dos poetas gregos. Clausar subri e procede:

- Oh, Cores! Oh, deuses! Acatai-me, no espectro multicolor, a neve intata da artéria e, com vossos prismas fotônicos, pincelai-mo inteiro no arco virgem do sentimento! É vossa minha primeira poesia; e, com doze estâncias, compô-la-ei, em culto a Vós, os Doze. Inclino-me a celebrá-la com versos dodecassílabos, para novamente venerar-vos doze vezes; ora os limitarei a onze sílabas, pois limitado sou. Ó deuses! Ó Cores! Cantarei o abismo!!! Escutai!

 

 

Nos velhos ritmos dos antigos rônios;
Augustos dias dos arcanos hédeos;
Arqueanas plagas dos terráqueos jônios:
De ardor erguer, em, só, cantá-los, é de os!
Pois lá mui fácil foi dizer, num verso,
Correntes fatos, térreos e dos matos;
Tão junto ao mundo, e longe do Universo;
Ao pé do deus, dos homens e dos atos!

 

Naquele tempo, tudo quanto havia
Jazia a um palmo só do fim do dedo.
Qualquer façanha, lá, nunca ocorria;
No chão, no céu, no fogo e o mar tão ledo;
No Olimpo - ali, tão perto! sobre o monte -
Sem carga de emoção ter recebido
De um deus, demônio, harpia, lago ou fonte;
Se não de um tredo divo decaído!

 

Recordo computar na Nau cargueira,
Lá donde à Terra a vida é conhecida,
Do povo umuno, de índole fragueira,
No módulo, nem bem me deu guarida.
Do mais profundo Cosmo, dele inteiro,
D' A Eneida o vate, vi na tela; o gênio,
Vivalma! a palma, os louros do primeiro;
Da glória, rutilando no episcênio!

 

Aqui, aedo, sem corcéis de luz,
Não há preciosos livros, redivivos;
Matiz na esfera Aurora não conduz!
Não é do morto o mundo, nem dos vivos:
É o frio abismo; agora, atroz, vazio;
É o alvo inviso, atrás do extremo alcance;
Após o mastro, o pombo e o líneo fio;
Pra lá donde o arco a frecha em flama lance!

 

Habito muito além daquela estrela
Caída: a cintilante haste de Aceste!
E aqui não mora a pedra ou se martela,
Arranha-céus atlânticos d'oeste;
Concreto, fumo, vidro, pez e paço,
Do Érebo rompendo, de aço, a Terra;
Não é do cru zumbi a vez e o laço;
O raio azul de Jove cá não ferra!

 

Aqui, aedo, é longe das cidades;
Da fetidez de escorraçar as feras,
Pras pútridas crateras, más, de Hades:
País distante, empós das exosferas!
Não há Sibila, Hidra, Javali;
Herói, pele de leão, carcás ou clava,
Capaz de sobrestar - oh! não aqui!
No abisso só têm vida o caos e a lava.

 

Vergílio! Lê comigo o Cosmo sestro!
Cuidar-te? Sei: não temes; mas te fia:
Jamais te roubarei do estilo o estro!
Nem, tímido, farei de ti meu guia,
Igual da tal Comédia em repertório,
Na busca da Beatriz ao Céu subida,
Pra andar do ardente Inferno ao Purgatório,
Fez Dante, exorbitando da tua vida!

 

No abisso, ninguém sobe e se depara
C'os ossos dos portais grossos do Averno;
Com ramos d'ouro nunca se antepara,
Nem geme de Plutão no fogo eterno.
O mio e o tetro velo da pantera:
No salto, bicho algum se lança ao espaço;
Tampouco o falto ronco da Quimera.
Aonde estou, nem Deus estende o braço!

 

O abisso é a selva intérmina do Nada:
Não há de Jung arquétipos comuns,
Sequer varas benévolas de fada;
De ícones e tipos, só: nenhuns.
Dos sonhos maus se foge pros maus sonhos;
Dos pejos, vis anões, em face d'olhos,
Despejam-se os segredos mais medonhos;
“Lampejos” e “clarões fugaces d'óleos.”!

 

Não, poeta! Entalhador da astral palavra!
O éter de bom lar não serve ao esteta!
O tenro metal oco não se lavra!
Não funde: só contunde, fura e espeta!
Da vívida paleta e do pincel;
O abismo do pintor não é o lugar!
É meu! De Rá! De Gia! Ky! Ra-El!
Da vida de nós cinco é o próprio ar!

 

Cor há, da sem mistura, cá entintada
E é frívola empreitada pintar co'ela:
A insólita aquarela atra do Nada!
Não faze conta, aqui da negra tela,
Pontuada de improviso em pura treva,
Se um vão Narciso olhar-se a si no espelho,
Pois não me derivei de Adão nem de Eva:
Nasci de um orbe muito mais revelho.

 

De Géa sou, Vergílio, ó sol de Géia!
Da pena trago à ponta o nu diamante
E corto, desde já, logo na estréia,
Do vácuo a invisa forma, tilintante!
Sei verbos lapidar entre as estrelas!
Poesias do abissal! Rumo distal!
Oh, poeta! Quererias entrevê-las!
Dilúcidos revérberos!... Cristal!...

  

 

Clausar termina as doze estâncias. Posenk e Tóxia guardam silêncio. Súbito, a telária salta sobre a fronte do enk e, rápida qual pensamento, tricota-lhe bela coroa de louros, coa télia inesgotável. Comovido, o geóctone agradece o laurel; e Posenk fala:

- Parabéns, Mestre Clausar: quem faz doze estâncias assim faz doze mil. Gravei-lhe os versos e meditá-los-ei longamente, para aprender-lhes a técnica, igualá-la e com Você digladiar!

- Ou superar-me, Posenk! Um intelector tem mais recursos lingüísticos; eu, desrelacionado, desmemoriei-me: não recordo a maioria das doze estâncias; rimas ricas e pobres, lançadas ao vento!

Mais sobre Vergílio você encontra na página mais visitada deste site, Nem plágio nem coincidência, e também em CCDB Notícias.

Veja uma ilustração de Géa que se refere a uma das estâncias de "Habito muito além daquela estrela".


O POEMA DE ARS

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(Você pode conhecer a história de Ars, o maior poeta do Universo, lendo Géa! Eis um trecho de sua grande obra, mais um poucachinho da poesia "de verdade"...)

Clausar não presta atenção ao debate de Tóxia e Posenk. O geóctone abre reverentemente o maço, retira e guarda a figura animada, aí folheia o midiel. Quando lhe identifica o texto, exclama:

- É o poema de Ars! O melhor escrito em Árgilos! Quem sabe traduzido pelo computador... E tem uma parte sublinhada! Pelo assunto, Gravirreatância quis referir-se a mim, ao sublinhá-la!

- Maw! Palpaje-a para nós, Clausar!

- Não p-posso, Tóxia: t-tenho a v-voz embarg... - e Clausar volta a derramar lágrimas sentidas, sem escondê-las.

- Mawmawmaw. Eu mesma palpajo. O traslado para o teruzês deu certas rimas pobres, mas o computador até se saiu bem. - Clausar lampeja um orgulho, ao memorar a poesia perfeita, toda em rimas ricas, a qual dedicara a Homero durante a dança de Ky no asteróide; e Tóxia, de cima do seu ombro, fixa os ocelos da frente (os maiores e mais sensíveis) nas estâncias grifadas de Ars. A telária firma nova âncora de télia, agarra coas quatro pernas de trás alguns fios no tecido da camisa do enk, eleva as quatro pernas dianteiras, tece em duas delas uma lira, põe-se a tangê-la com outras duas, abre os palpos e as quelíceras e declama, no mais pungente palpajar:

 

 

No mar o vento cessa e a onda dorme;
No céu as aves planam, deslizando;
E o som da suave pena falciforme
Vem livre sussurrar saudades, quando
O jovem no comando altivo abeira
A borda do batel e toca as águas,
Riscando com seu dedo lisa esteira;
Rasgando à virgem ninfa alvas anáguas;

 

Tateando o outro dedo ali no espelho;
Furando o espesso hímen do planeta;
O oceano, a areia embaixo, o chão vermelho;
E achando do outro lado, de veneta,
O Amigo comandante da nau gêmea,
De gesto igual: enfia o dedo e o pulso
E dá-lhe a mão! E encaixam; macho e fêmea,
Com palma a palma e d'alma n'alma; o impulso!

 

 

Como boa poesia não pede explicação, Clausar simples pensa alto: “- M-mãos s-são bissexuadas: encaixam-se como os umunos; daí ‘m-macho e fêmea’... Céus! O estro imagético de Ars rivaliza Vergílio!... Pelos deuses Cores! Talvez o supere! Os amigos dão-se as mãos através do planeta!... E Gravirreatância dá-me a mão através da morte!”. - e o enk verte o último pranto do estoque. Tóxia engasga, a lira de télia emaranha-se; e Posenk baixa a cortina da realidade sobre a cena fantástica da amizade:

- Detecto tela com imagens de violência: reproduz fatos divulgados pela GGG, redes da Terra e de planetas similares.

(A história de Ars está contada no capítulo "Vida dentro da Morte", do Livro Onze de Géa, entre as páginas 2563 e 2566. O Poema de Ars aparece no mesmo livro, entre as páginas 2599 e 2604.)

Mais sobre Homero você encontra na página mais visitada deste site, Nem plágio nem coincidência, e também AQUI.


Conheça e baixe ao seu computador Uma Canção para Ars, de autoria de Bruno Tavares, composta para a letra da poesia imediatamente acima e gravada por ele próprio com sua mesa de áudio CCDB44 !

Conheça e baixe ao seu computador a música Em Géa, também de autoria de Bruno Tavares, baseada na história de Ars, contada na obra Géa.


O VÓRTICE

(Da página 3509 do Livro Doze de Géa, versão ilustrada, que você pode ler já em CCDB Livros!)

O enk cogita: “- O vórtice não distingue planos de planetas, macetes de espermacetes, queijos de gueijos, e os engole aos beijos qual devora a révora, com igual contentamento. Se uns indivíduos dão a mente pela vida dos outros, estes dementes duvidam dessa semente e se endividam sem saber, pois vivem por viver. Para o vórtice, não contam espiras, gédias ou sonhos! Quer enxugar o Universo! Simplificar tudo a nada! Para a voragem, onde aonde é onde, quem foi mares nunca dantes navegados; quem foi onde nauta algum jamais esteve; quem foi fugi-lo aonde nem o vórtice alcança, não passa de protonauta; e audaciosamente ir caminhos assim, não vai além de protonavegar! Quem não se foi na foice vai...”.


DURANTE A LUTA COM O DESRELACIONADOR, CLAUSAR CANTA

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(página 2738 de Géa, versão não-ilustrada)

Tóxia rodeia a cabeça do enk nu, tecendo-lhe uma coroa de louros, e palpaja enigmaticamente: "- Em nome da técnica de Síncope! Maw! Qualtum, Clausar, entre bilhões de enkóides, Você superaria os demais e venceria a Morte?". Clausar capta a idéia, improvisa versos hendecassílabos e com cada espadeirada, dada sempre nos mesmíssimos lugares, faz coincidir cada acento, o icto:


- Porquanto a alar vontade sobe e é tanta,
De a queda do Universo ater num verso,
Do solo ao céu mais alto me alevanta,
O impulso da Ecoespada, e ao Cosmo eu terço!
Um furo faço no aço azul do espaço,
E à Morte abraço o baço braço forte!
De sangue, dela, à dança, o colo traço;
De todos a quem mata dou-lhe a sorte!


Pela cadência, Oég antecipa e apara toda a esgrima. Quando Clausar percebe a habituação da Morte à métrica, age como Síncope e passa a fustigar Oég arritmicamente, ora nas tônicas ora nas átonas, sempre em lugares imprevistos; muda os versos para dodecassílabos; elimina as rimas e declama, em contínua aceleração:


- De teu corpo magro, fatal esqueleto,
Farei aos pedaços os pálidos ossos!
Em vez de poupar-te com arte e tocar-te,
No último verso co a ponta da espada,
Te firo, te furo, te corto e te aparo.
Com cada palavra esta lâmina viva
Teu sangue de pó verte, espalha, retalha
E te dá por mortalha alva poeira de morte!
Descompassando a luta, suando estrelas, rorejando sangue, Clausar afinal consegue ferir Oég, várias vezes! E os ferimentos recentes não doem, pois a estesia da lâmina é a anestesia... Tóxia e Posenk deliram, em polvorosa; e até a Morte subri, de admiração!

Veja a ilustração que corresponde a esta poesia!


MORTO E MORTE

(Da página 3497 e 3498 do Livro Doze de Géa, versão ilustrada, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Morte e Morto, idempotentes, elevam-se crânio a crânio no vácuo; e a Erictônio dá onde é em cima e embaixo, espacionada no infindo campo perspéctico. Os dois seres gigantescos (um cromat, afeitos a tomarem banhos de sóis; um dia, Seres de Luz) ascendem negros no escuro; e, se Oég detém a foice partida, Artrus retém partido o coração! Órgão cheio de Dor; do sangue preto, pisado por Géo, por Mú e pelo próprio Oég! Cheio de vazio Pesar!

Morto e Morte, nilpotentes, não mexem: para tocarem-se bastam-lhes as mentes! E para quem cogite ser esse toque mais leve ao pé da grave matéria, recordo: todo o peso de todos os livros do Universo é nada, ao pé da história carregada por eles. E, como as histórias fundem-se na História; Morte e Morto, ser e não-ser, eu e não-eu unem-se osso a osso num só colosso; mesclam-se num só vulto, esfera de inúmeras dimensões, Orco donde dardejam (aqui, ali e acolá) raios de negro poder, de ilimitado raio. No curso desses raios, toda a vida cessa, tudo desaparece, e nem o nada permanece! Umglad desvia a Erictônio habilmente de alguns, e Clausar faz igual coa Laranja. Do inarrável combate referem-se os meros reflexos: enquanto a esfera negra trepida, treme o Universo; galáxias acendem e apagam qual velas bruxuleantes; espaços e tempos subvertem-se; passados e futuros misturam-se. Algumas regiões, privilegiadas pelo firme esteio da mão onipotente de Géo ou pelo desamparo de seu oblívio (qual Géa, Terra, e outras pedras rolantes nos declívios dos acostamentos cósmicos) não sentem a passagem dos robocargos sobrecarregados de violência, guiados pela ira, sulcando rachaduras no macrocósmico asfalto; não ouvem a crebra celeuma universal.


QUANDO CHEGAM OS GALÁCTICOS AO PLANETA GÉA, A BORDO DO IMENSO DISCO DO TEATRO CÓSMICO ABERTO, QUE ENCOBRE AS ESTRELAS NO CÉU, ASSIM SAÚDAM COM ESTENTÓREA VOZ A RÁ, ANIVERSARIANTE, E A SEU AMIGO TERRÁQUEO, CHAMADO TERRAR

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

"Rá!... Terrar!... Rá Terrar!... Terrar e Rá!...
Rá e Terrar só!... Terrar e Rá só um!...
Rá e Terrar só um são!... Unção a Terrar e Rá já!...
Já a Rá e a Terrar a unção se deu!...
Nove planos galgaram desde o seu!...
Só no céu se sobe ao onze, ao doze e ao meu!...
E no treze há o Nada, o Tudo, o Todo e nenhum!...
É o da Géa, o de Géo, onde recomeça o Um!...
Rá!... Terrar!... Rá Terrar!... Terrar e Rááááá!!!..."


CLAUSAR CANTA PARA HOMERO

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Eis Clausar, atirado pelas ondas ao passado da Terra aos tempos da Ilíada. Ao ver-lhe cantar na treva o autor à lira, o enk age:

Desfere ao Ida as estrelas feridas

Pela érea choupa dourada de anéis

Do rei dos reis, maioral dos Atridas.

Os lumes vibra té os numes, fiéis:

Do aedo cego a agudeza o seduz.

A curva ao céu concaviza convexa,

Desata e rapta de Jove alma luz,

De Homero ao cenho mil olhos anexa!

E Clausar acorda: sonhava dar olhos ao argos dos videntes...



IVURA

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(página 1084, Livro Quinto de Géa, versão não-ilustrada)

Ira-me e apura, ó ruiva Ivura!
Vem-te, inocente, e em dor desvaira!
Uiva-me, Ivura, ó ruiva pura!
Ri-te; sê faca, e faz-me a chaira!
Ata-me e arruína té a ternura!

Ira-me e apura, ó ruiva Ivura!
Vem-te, inocente, e a dor atura!
Uiva-me, Ivura, ó ruiva pura!
Ri-te, desvaira, e dá-me a cura!
Ata-me e arruína té a ternura!

Eco//Ruiva!

Parágrafo poético de Clausar para Cástitas, a bipsica ruiva (em prosa).


ACEITA-ME!

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(página 1367, Livro Sexto de Géa, versão não-ilustrada)

Afrodite! ó Afrodite!
Aceita-me, na beleza das palavras,
a rosa, a maçã e a murta,
e transforma-mas, nuas, em amor!
Eu to devolverei com mais belezas,
para rogar-te o mesmo amor,
pois não desejo mais amores!...


HINO DA TRIGONODON

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(página 1998, Livro Nono de Géa, versão não-ilustrada)

Igual a música, a letra do hino da Trigonodon é incomplexa, entanto qualifica e inclui o oficial de comunicações entre os poetas. Um pequeno, ingênuo e incipiente aedo, cheio de ardor por sua astronave, apto até a incluir o nome grego de Belona (Enio), a deusa da guerra, nas iniciais de seu singelo e desrimado carme.

O hino de Flaco não correrá “embalde desde então o infinito”, como o grito de Castro Alves, pois o infinito tem orelhas, até nos troncos das árvores caídas.

“Êh! piratas da espira nós somos, hô, hô!
Na Galáxia e no só turbogravo, hô, hô!
Inexiste navio tão fogoso, hô, hô!
O mais bravo é a Trigonodon! iô, hô, hô!!!”.


AMORES

(da página 2872 de Géa, a primeira com texto, no Livro Treze, versão não-ilustrada) - você pode baixar o Livro Treze em PDF ao seu computador ou utilizar o Livro Treze versão on-line, em CCDB Livros agora mesmo!

A chuva cai, e ama, e se entrega, e é amada, e some no solo, e não é
Mais ela mesma, e não é mais amada.
O mar cai coa onda, e ama, e se entrega, e é amado, mas não some na areia:
Recolhe-se, volta a ser ele mesmo, e recai noutra onda, e em outra,
E mais outra; sempre caindo, e amando, e se entregando, e
Sendo amado, e voltando a ser ele mesmo, e sempre amando e sendo sempre amado.

Não seja a chuva: seja o mar!


ALABASTRINOS

(do Livro Treze, verbete “alabastrinos”) - aqui vemos o conteúdo do verbete, afora as referências cruzadas. Você pode baixar o Livro Treze em PDF ao seu computador ou utilizar o Livro Treze versão on-line, em CCDB Livros agora mesmo!

alabastrinos: no capítulo “Ky”, em: “dois alabastrinos cérebros temos”, “alabastrinos” significa: “os quais parecem ser feitos de alabastro (ver)”. “Alabastrino” é palavra usada por Vergílio n'A Eneida para pintar a Lua. Como o parágrafo onde incluí a fala de Alfos cita Vergílio, aproveitei-lhe esse e outros termos para dar Leitmotiv, sem plágios, ao poético e antigo (mas não antiquado) Alfos: na fala de Alfos, “alabastrinos” são os cérebros; não, a Lua. Ao ler isso, ri-se e sopra-me em latim Vergílio, o qual traduzo como posso:

“Dera-me a diva Musa ver-te, Cláudio,
À luz de lâmpado da sala tua,
No céu d'A Eneida, ao pé do Sol merídio,
Já te acendera a alabastrina Lua!”.


AMAZONAS, O COMANDANTE PIRATA DA TRIGONODON, CANTA AO ALMIRANTE OCTOPOCÉREBRO, ZOMBANDO DO HINO DA COSMONAVE PÊNTIA FATAL 8, DESTRUÍDA PELA PRIMEIRA

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(da página 1902, Livro Nono de Géa, versão não-ilustrada)


Para espanto geral (e mortificação de Cérebro, o qual tapa com um tentáculo o próprio bico), surge a imagem tetradimensional de um simples homem, de obscuro planeta do outro lado da Telária. Suas vestes são sujas e rotas, usa turbante, traz na destra uma esfera de brilho leitoso e a sinistra escondida atrás das costas. Com sorriso de escárnio e bela voz de tenor, o terráqueo põe-se a cantar:

- “Em sangue as ventosas alcei,
No céu do inimigo sou rei!
E faço-me a glória e a vitória;
Nos astros, memória notória,
De Penta, de Ro Bolinei!”.


O OITO

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(da página 817, Livro Quarto de Géa, versão não-ilustrada)

A forma do canto escuro eleva-se, flutua no ar sobre o liquário, baixa ao corpo físico de Octopophobos e vai ajustando-se-lhe exatamente a todos os contornos, até se interpenetrarem. As vozes de Phobos e Deimos unificam-se. Já se não distinguem, gênito e genitor: fundiram-se, dois Kys num só corpo.

Originadas na desesperançosa mente do pai, Deimos, alcançam o ar as pentatentáculas fatais, lai formado pelos últimos cinco versos do longo poema octossilábico (se contarmos a sílaba fraca final) mnêmico recitado até esse estato por Phobos, o filho...

- Eu sou do Géon o OITO...
OITO no espaço me deito...
Do OITO o laço desfaço...
OITO! OITO! OITO! OITO!
Desenlaçar; abrir: OITO!!!

Assim foi pronunciado por Deimos e Phobos o grupo de oito caracteres faltantes no código de disparo da bomba maldita! Vinte ondas tricúspides de vingança, uma de cada coração pêntio!


A NEBULOSA AVANÇA!

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

O aracnopolipozinho não pode falar; liberta os tentáculos da
paralisia e corre para as janelas laterais; daí, ao fundo da sala,
acompanhando a evolução de novo quadro - ainda mais horrível,
se comparado à ameaça do Globo Ventosa desgarrado!

Incomensurável nebulosa negra avança no espaço cósmico,
engolindo as distâncias, cobrindo por fora e revelando a curvatura
do inocelável fotofrátax da Foto Um, a proteção externa de Penta.

Vem não vem, num vaivém, a jovem nuvem revém, rumo ao
edifício de Félix. Vai e volta, num vai-não-vai, se esvai revolto
o céu das írias no chão, oculto sob o manto solto,
além do piso transparente.

Inúmeros relâmpagos alastram-se e aumentam em quantidade
e intensidade, no interior tenebroso da cerração. A sombria
forma globosa adapta-se à esfericidade da Foto Um, como o
tetrócito sobre a bactéria infecciosa pêntia.
O céu desvai-se e desaparece.

A nuvem não alcança penetrar; as fulmíneas centelhas permeiam
a Foto Um, invadem o Nível Um e atravessam a Foto Dois:
o pavimento do Nível Dois, onde mora Félix. E gostam!...

Os coriscos desabalam feio, das bases aos topos dos edifícios;
fogem-lhes as arestas e riscam riscos, próprios das faíscas. Saltam
no ar, gizam alergizantes luzes; desfogem, atacam, abarcam a
Foto Três nas alturas e aclaram-lhe dos mundos
no seio até as baixuras!

Os géons das descargas entremostram silhuetas longínquas de
corpos tentaculados a debandarem, fugazes vaga-lumes sem lume
e sem destino. Os aracnopólipos não caminham mais sobre a
superfície estrelada do Céu; sim, no solo candente do Inferno!

Quanto mais longe, maior é o caos, mais intenso o fulgor, e
crescente o brilho dos prédios, em recrescentes chamas. A distância
basta para evitar grandes abalos na estrutura do edifício, o lar
de Félix. Se percebem qualquer tremor, os oito pais não
demonstram: continuam absortos na sexonovela. O programa
roda cenas pré-gravadas; e nenhum pêntio
vigia, no estúdio deserto.


MAS OS LOUCOS PERDURAM...

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(da página 1045, Livro Quinto de Géa, versão não-ilustrada - o texto no livro é formatado como simples prosa)

Nada mais é tão tranqüilizante... como rir, desdenhar e ser são... da loucura dos outros diante... mas os loucos perduram, e eu não!... A gleiquênia não vem do Quênia, nem do samba a sambambaia; só a loucura vem da cura, se do médico o louco é cobaia!...


E A KENA ESPEROU DOIS ESPECTROS...

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(da página 1614, Livro Sexto de Géa Ilustrada - o texto no livro é formatado qual simples prosa)

Coisa pouca mudara na gédia... de Clausar, filho e pai de Rasek. Descoberta das matas a Ritma, deu agéo a mil planos até. Com a firme intenção de casar-se, retornou dos estudos à lida. E a kena o esperou dois espectros, sempre terna, galvânica e fida.


QUAL VELEIROS SE INCLINAM

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(das páginas 2194 e 2195, Livro Oitavo de Géa Ilustrada - o texto no livro é formatado qual simples prosa)

- Pois saiba! Como os autorizou, os Kys Únicos terminaram rápido o trabalho. A virgem recebeu-lhes a presença resplêndida e acolheu o gene psíquico em seu ventre. Um óvulo foi transformado em espermatozóide e fecundou outro óvulo. A virgem continua virgem. A Lei não foi quebrada. A virgem concebeu e espera um filho. Sua prole, Clausar. Nas mentes de todas as bipsicas, acaba de brilhar a mensagem de nosso Ser de Luz; e cada uma escuta-a feito se partisse de si mesma, da mais essencial Verdade interior.

- E qual é a mensagem? por bipseza.

“- Deixarei de ser agérata... Minha juventude durará té o rebento de Abstersa me procurar ou escolher outra, e quem sabe o filho desta ou da seguinte (da milésima ou milhonésima talvez) será para mim! Desse cromat em diante, envelhecerei. E desse cromat em diante, serei mãe! Enquanto não me chega a vez de encontrar o pai de meus descendentes, não temerei mais a morte, pois o artigo letal da Lei foi suspenso: estou livre para satisfazer meus desejos...”. - Neste ponto, a voz da Magna Vestal tremula, e Intáctia aproxima-se do enk, no âmbito dos grilhões. Os írios da virgem das virgens acendem-se, rubros; e Clausar percebe: o conteúdo da mensagem passa a ser intimamente pessoal, dela própria:

“- Não terei mais de eriar no Ky as donzéis confissões dos anseios frustrados de todas as almas de um planeta inteiro! Não terei de padecer o amaríssimo dos sofrimentos, ao ver tantas irmãs sumirem no ar feito o último lampejo de noctilúcio inseto, vencidas, a abjurarem hecaspectros de continência! Não lhes gedianciarei os sonhos voluptuários, aceitando-os em mim para retirar-lhos das psiques endoidecidas! Não serei mais a Senhora, a Magna, a Vestal! Serei apenas esta jovem, a seus pés, para virgemente aprender no corpo frágil os devaneios do espírito, agora em Paz...”.

Clausar não ousa!... A mão de Clausar ousa!

Primeiro um dedo... depois outro... aproximam-se e tateiam um fio... dois fios... entrelaçam-se nos cabelos plátios... enfiam-se mais fundo... e tocam a intocada pele azul-celeste sob o lóbulo da orelha esquerda da mais virgem das virginalíssimas das virgens.

Qual veleiros se inclinam garbosamente ao derivarem seu curso, Intáctia reclina a cabeça; como a violinista aconchega o estradivário, prende a mão do geóctone delicadamente contra o ombro e, feito as elastas, arrasta-se-lhe a mais perto, para deslizarem ambos, abraçados, e satisfazerem-se, na diamantífera golconda do prazer, coa taça mais cheia do mais antigo e puro vinho, amadurecido por milhares de espectros no mais bem fechado frasco azul!

Quem pudesse desviar os írios, os olhos ou os ocelos do par amoroso, descobriria, quiçá, escrito em sangue na parede, lustrar-se de vida o último texto dalguém, certo período escuro morto ali:


ENTREAMAI!...

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(conclusão do texto logo acima, da página 2195, Livro Oitavo de Géa Ilustrada - o texto no livro é formatado qual simples prosa)

“Desejos são certa cabeça da hidra: sepultados, não morrem! Matai seus desejos, vivendo-os!... Entreamai!... O solo tem raios; e o céu, raízes; Rá! Ísis! nestes mundos felizes, espelhos do seu!”.


ENTRE PLATINADAS NUVENS E MONTANHAS AZUIS

(Da página 2211, Livro Oitavo de Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Esvai-se o Portal. A auréola fecha-se e flui pelo ar, para depositar-se, qual filete líquido, no ponto indicado. Lenta, atenta, mágica, trágica, decente e resplandecentemente, surde ali o corpo despido de Clausar, refeito e hígido como se crons fossem estatos!

O enk acorda de írios negros; e, aos poucos, os diafragmas íris tingem-se-lhe de gratíssimo soládio! O mais largo subriso rutila na face geóctone! O triomega põe-se de pé, caminha para a Magna Sacerdotisa, genuflecte e beija-lhe os versos e as palmas das mãos.

Meiga e nua; não, desnuda, pois jamais vestiu; Intáctia faz levantar-se o Galáctico. A bipsica abre os braços; Clausar descerra-lhe a cortina dos cabelos de prata, desliza sob esse dossel de luz e aperta-lhe o corpo celeste, apaixonadamente, mãos tremendas tremendo ao tocarem o céu, dedos entremetendo-se, flumes, ciúme, pelos vales e as colinas, entre platinadas nuvens e montanhas azuis.


INTÁCTIA e CLAUSAR

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(página 2229, Livro Oitavo de Géa, versão ilustrada)

A rainha suprime a antigravidade na cabina e, num lânguido vôo (de enciumar sereias, a nadarem, no fundo do mar, sem amar; pois os cabelos se lhe ondeiam melhor, sem parar, no alto do ar), flutua o corpo undoso té bem junto do enk, acaricia-o... e não fazem beldo, amor, rimas ricas encadeadas (não, cruzadas) com primas pobres, nem qualquer outra supervácua hipocrisia: simples fazem complexo sexo no espaço; cruzam, feito antênicas e outros insetos, privilégio de pequenos seres alados malquisto por ignaros homínidos.


CENTO E TRINTA E SEIS PALAVRAS-COMPASSOS

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

(Da página 439, Livro Segundo de Géa, versão ilustrada, capítulo “A Rítua de Marhá”. O parágrafo do meio tem cento e trinta e seis palavras - cada palavra composta vale uma só - em homenagem aos cento e trinta e seis compassos iniciais de Das Rheingold, de Richard Wagner.)

À sensação segue a realidade: o músico inspira-se como nunca. Esfrega as mãos, põe-nas em concha próximo aos lábios e bafeja, aquecendo-as. Aproxima-as da etérila, apostura-se, fecha as pálpebras e suavemente afunda alguns dedos nas chaves macias, acertando-lhes as posições sem precisar vê-las com os írios.

O músico-filósofo geóctone Marhá de forma alguma poderia haver eriado Wagner sem ter contato com a Irmandade Galáctica e per conseqüência jamais lhe chegara aos érios o contínuo tom profundo inicial da abertura das quatro cenas ininterruptas de Das Rheingold nem lhe fora dado o sublime e duradouro êxtase de receber na visualização da mente os majestosos e vibráteis ecos verdes e ocra das rumorejantes e agitadas águas do magnífico Reno ou sentira na superfície da pele o prolongado e místico turbilhão líquido levado no empuxo invisível do mergulho quase interminável às luzes áureas e reverberantes das profundezas ocultas e insondadas do enérgico e caudaloso rio terráqueo em constante velocidade-mi-bemol pelos exatos cento e trinta e seis compassos-força de figurações-barbatanas sobre o acorde-carro-de-nácar ao encontro glorioso das três virgens filhas do rio, Woglinde, Wellgunde e Flosshilde.

Não... Nada disso Marhá teve o privilégio de sentir. Nem sequer sabia da existência da Terra e, nela, de livros com parágrafos de cento e trinta e seis palavras (como o acima), honrando-o e a Wagner. Para não-Galácticos, Tridelta era simples possibilidade astrotrezêmbica, baseada em cálculos dos astróbios sobre o balanço da estrela Delta Telariae - se dessem crédito ao jornal das teleimagens.


QUÂNTICOS PIRILAMPOS

(Da página 440, Livro Segundo de Géa, versão ilustrada, capítulo “A Rítua de Marhá”. Qual coisa melhor ao pé dos pirilampos para simbolizar os quanta? Mais sobre a física quântica e muito além dela você lerá, ou ouvirá dos pirilampos, lendo Géa, )que( e Geínha em CCDB Livros!)

Inicia-se em mi a rítua de Marhá, plácida aragem roçando a superfície de majestoso rio, inversa à grave fluência. Sim... Poderia ser o Reno, quem sabe, ...e era um rio geóctone.

Abertos horizontes, amplos... Bravio cenário, bucólico... Cálidas planícies, calmosas... Dançantes zéfiros, diáfanos... Intensa alegria, íntima... Jacentes areias, jáspeas... Nacaradas valvas, naiádeas... Oásicas florestas, odorantes... Quânticos pirilampos, quiescentes... Unívoca natureza, utópica!...

Já no processo de loucura biótica, o bio traça imagens PSID só para si mesmo, por detrás do músico-filósofo... Refletem o ruído do ar, arrepiando líquas do rio. Evolam-se quentes vapores.


MINHA FILHA

(Das páginas 2305 a 2307, Livro Oitavo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Ao exclamar, em pensamento, “- Minha filha!...”, o geóctone deixa escapar a voz e também profere, alto e claro:

- Minha filha!...

Ky interrompe a dança no curso de veloz pirueta e fica em equilíbrio na ponta do pé esquerdo, braço direito elevado, índex apontado ao céu, absolutamente imóvel. Com ela, tudo derredor pára. Cessa o movimento do mundo, das folhas das árvores, dos insetos, do ar, dos deuses, das Musas, das ninfas, das sílfides; de todo o Cosmo. Peixes embudam. Os tragadouros param. Param os furacões... os tornados... e as torneiras até! As galáxias param. O coração de Clausar também pára; e a Vida suspende-se na Terra, resumindo-se na interrogação verde e profunda dos írios de Ky, em meio ao recôndito verde da mata: vagalhão de galhos, ramos, folhagem, flores, fragores e fragrâncias pendentes no alto, prestes a concluir a arrebentação, a desabar e engolir o sápido Universo.

Ky detém no índice apontado ao zênite o poder de Géo e Géa: o poder do Um, do Absoluto; e, sem mover qualquer outra parte do corpo, fecha a destra, baixa-a lentamente, encosta-a no peito e abre-a, entregando ao coração, também parado em diástole, todo o movimento cósmico.

A sístole poderosa sobrevém, recomeça o palpitar; e, pelo coração de Ky, retorna o pulsar do mundo; feito quando, pela primeira vez, na Terra choveu sol! A verde vaga inverte a moção e volta, réflua, sob o mágico magnetismo. Desinclinadas, as árvores estiram-se, estremecem e acordam. As folhas farfalham, o perfume espalha-se, a brisa sopra e as aves cantam o gosto do ar. Brindam à diva os aedos no Elísio. Na sinistra incombustível, enxuga Dite sustada lágrima de fogo; e esta ao Tártaro rola. Os deuses pasmam...


AGÉO, TERRA!

(Das páginas 2369 e 2370, Livro Oitavo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Nenhuma íria pisca acima da atmosfera da Terra; estrela alguma tremula, pelo risco iminente de eclodir a guerra de proporções desmedidas, tão ampla qual soem ser as galáxias, tão medonha qual soem ser os aracnopólipos. No céu profundo, só o pavor cintila.

- Agéo, Terra! Adeus, Tri Delta Telariae! Possa eu, ensolarado dia ou enluarada noite, voltar a respirar-te os tépidos ares azuis ou as doces sombras de prata!... - e Clausar deixa correr lenta lágrima geóctone, onde súbito se refrata e fulgura o brilho do Sol, instantemente a surgir no horizonte convexo do orbe, cuja curvatura cresce, segue o perfil da gota salgada, e depois se espalha, para tingir, nos laranjas-íris da alvorada cósmica, a face do enk, absorver-se nela, misturar-se-lhe ao Ky e ofertar-lhe, para sempre, um cálice de ouro com o vinho celeste da cândida Alma tridéltica!

Ao ver acenderem-se os azuis e brancos da Terra, Ky subri, afaga o cabelo do pai, atrai-lhe a cabeça a o colo, inclina a fronte e verte dançarina lagrimazinha: ela rola-lhe redonda e rútila pela maçã do rosto jovem sem tocar-lhe a pele, saltita-lhe com vaporosas sapatilhas aeriformes pelo delicado nariz, pula do elegante trampolim, pinga na face inda úmida de Clausar e mistura-se-lhe ao pranto.

Na mente comovida do enk, a lágrima de Ky, Dança e Alma geóctone, cai, sob a gravidade artificial da nave, à tona safírica do oceano, líqüida Alma terrestre, e ainda não se mescla: ricocheteia; sobe em parábola e desce; repete o moto uma, duas, três vezes; por fim, cedem as filauciosas tensões superficiais, e os espíritos da gota e do mar misturam-se, no esplendíssimo graal de ouro torneado pelo Sol. Géa e Terra são um só luzeiro em Clausar. Ky capta-lhe e comparte a visão: ao unirem-se as percepções, povoa-se-lhes a imagem de detalhes luminosos; raios de estrelas clareiam minúcias, cujo brilho acentua as sombras, num fractal de lisérgico apogeu.

Feito a dedirrósea Aurora hoje preme a chave da luz elétrica do alvorecer, a contemplação compartilhada de Clausar e Ky é interrompida pela voz doce de Louriage, no comando da Nau:

- Está acordada, Ansata?
- Hu-hum...


Zíper_miniZÍPER

(Da página 768, Livro Terceiro de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já, em CCDB Livros!)

Clique na foto ao lado para vê-la na resolução original

Alucinada, a mestra devora o pindarismo e revê por segundos um entardecer fluminense de verão, onde desliza a meia altura, no mesmo rápido lençol de vento, a coleção completa de nuvens do planeta, rasgando-se em chumbo, estanho, prata e algodão, para mostrar a pele nua do Céu, em suntuoso festival de azuis-claros.

O zíper reto da esteira de um jato fecha o vestido do Céu.

Louriage sacode a cabeça, expulsa de um jacto a litórea quimera, deglute as brasas da nostalgia brasileira e ressente o ébano do volante nas mãos. A ergonomia da peça a faz parecer macia.


A NOITE

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

 

Quem sabe tudo é a Noite, na qual todos os sóis brilham!

 


AMIGOS

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

 

Onde só há maus amigos, o melhor deles é a Solidão;
Onde só tenho bons amigos, o melhor deles sou eu.
 

 


A SOLIDÃO

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

 
A
Solidão
é um espelho:
se o encararmos,
obteremos a companhia
da Verdade. Ao nos afastarmos,
a Verdade não tomará o vão rumo oposto
do reflexo: irá conosco e nos guiará direto ao Amor.

UM SOL

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

 

O cientista chama-a Aspilia Foliacea;
o pessimista, malmequer;
o otimista, bem-me-quer;
e o místico não chama: contempla-a...
e faz de si, feito ela, um sol.

 


AMAR

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

 

Amar não é só desejar ou querer:
Amar é sentir o mais intenso prazer pela simples existência de alguém.
Amar com A maiúsculo é sentir isso pelo Universo, e isso é Existir.
Existir amando alguém é Viver.

 


QUAL LUZES DE DUAS VELAS UNIDAS

(Da página 2558, Livro Nono de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Qual luzes de duas velas unidas, a liquefazerem-se de calor, a trazerem nas mãos dalguém a chama da lembrança ao esquecimento escuro de um túmulo; aconchegados, os dois ingressam no minuto aposento e fecham a porta. Ei-lo ante ela; ambos, de pé. Intimoratos; sem sofreguidão ou desdém; um despe o outro, coa certeza cabal de quem vai orar ao deus de seu coração, eriar a mais acorde rítua e saborear o manjar preferido - embora seja a primeira degustação...

Clausar e Gia dão três passos, deitam-se no sofá-cama da kena e unem os corpos e os Kys, justo como entram os caracóis em suas conchas, seguros feito o carnívoro a devorar a primeira caça.


CHIBATÃ

(Da página 2807, Capítulo “Éter”, Livro Décimo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

A cor dos outros compartimentos do estúdio varia do branco, no teto; passando pelo creme, nas paredes; e chegando ao cinzento, no piso. Onde se necessitam corrimãos, anteparos e painéis refletores acústicos, a madeira escolhida é o chibatã, o mesmo gonçalo-alves ou aroeira-vermelha, cuja fotossensibilidade (e a sensibilidade do marceneiro, o dono do estúdio) ressaltara os caprichos dos veios negrejantes sobre fundo ocra madreperolado claro e deu ao ambiente grave distinção, sublinhada pela nobreza incomum dessas tábuas de cantos embrandecidos, todas acima de cinco centímetros de espessura; aplainadas; rascadas; lixadas; vitrificadas com cinco demãos de resina seladora, sem verniz de arremate, e, portanto, livres de descascamentos. Os veios são as pautas onde flui a música da madeira, aprendida no farfalho das folhas ao vento, no som canoro dos pássaros; fixada na substância da árvore, para olhos espirituais lerem e Almas humanas ouvirem... São sofridos lamentos; nostalgia da pátria esfrançada, a planta viva; pontas de véus soerguidas, ante os celestes portais de Sauternidade.


GOTAS DE ÍRIAS

(Da página 2914, Livro Décimo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Imersos no hurakyklôn de fulgores, Clausar abraça Gia ternamente, a ter na mente eternamente essa poesia. Súbito, o moto muda, e as gotas de írias param, quando o salto EXÓS se converte em impulso normal. Seres efêmeros feito os Galácticos vivem a saltar de uma gota a outra nessa chuva de estrelas... Tal chuva, para eles, está parada no céu... Ao menos, já não vivem numa gota só...


O TEXTO DE UM LIVRO NO AR!

(Da página 2930, Capítulo “Cleona”, Livro Décimo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

A Terrar sobram livres as narinas para respirar: o resto do corpo é-lhe envolvido inteiro. O terráqueo não deseja refletir, analisar a impossibilidade da situação, solver a verdade patente; Terrar não tem uma célula sequer, entre as do raciocínio, livre para cogitações: todas essas e as demais de sua constituição física ocupam-se em desejarem, aprazerem, sentirem... e reimporem o ciclo, na espiral ascendente do sexo, ampliando-lhe a dimensão sensorial acolá do diâmetro kyclico, feito um pintor, doido de estro, a exceder as margens da tela e a pintar... o texto de um livro no ar!


CENTRÍPETO, WOLFO ADORME

(Das páginas 3009 a 3009, Livro Décimo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Centrípeto, Wolfo adorme, na disforme centrífuga loura, no ímpeto de seu cabelo, louco no vento, e sonha medonho alento. O engenheiro adumbra-se e submerge, na cidade negra da tecnicidade. O primeiro clarão converge, alumbra-lhe o ser; e o varão vislumbra o caborje, no charão do amanhecer. A senda palmeada é-lhe fundamental; qual o Vaso inquilino, à Alma; e acaso o violino, à calma; o fio da lenda, à real meada. Nas areias ermas da umbria utilitarista, entes umbrívagos perambulam: veias, espermas de artista - não bulam! umbrelas de escusas medusas; elas, no profundo mundo, reslumbrado por vagos mergulhadores, faróis precursores rotundos. Caracóis espiralam, magnéticos, esponjosamente; dormitam, quase acinéticos, e regurgitam sons, os tons de pegajosas mentes! Amanamanhas tamanhas abocanham tacanhas aranhas. Wolfo perpassa, seus passos deslumbram os ofídios; os répteis sibilam, rúpteis, bífidas línguas lânguidas, qüinqüelíngües; os fúteis dissídios retiram o tiro do giro. Relumbra o floco da consciência lúcida, no ácido umbral da psique; projeta-se o foco no solo e segue uma só das cobras, a tal da cacique, qual a fácula da lanterna eterna do caminhante noturno lhe segue avante da mácula, na contravia soturna. Outras formas estão no episódio; enroscadas, ressumbram medo, permistão e ódio, tirocínio de emboscadas, normas de tredo assassínio. Amanhecentemente, aclara-se o lugar umbrático; pupilas audazes avezam-se aos contornos trevosos; amaduradamente, declara-se o fugar temático; se mutila as fases, e revezam-se adornos ascosos, os ares não têm fons viscosos; de acromático, o som faz-se acroamático, e estável rotar se inicia, amável mutar principia. No âmago do (para alguns) mais asqueroso dos seres, estômago do (a nenhuns) mais generoso dos teres, manifesta-se a Luz das alturas; e o terrícola ouve harmonia: ao Celícola aprouve dar via; mão em festa, se aduz insculturas! O assistente pára, captura a serpente magnética, enxumbra-lhe o flange, para levá-la enrolada, dormente, rara, na tontura, torpente, patética, aonde a porta torta range, e guardá-la fechada, no timbroso e penal abditório, do penumbroso laboratório... Wolfo afasta-se do cenário lúgubre. No chão, subsistem, obumbram-se, sinuosos, os répteis serpiginosos, sub-reptícios no afã de sobreviverem no error; incônscios da Géa interior, confundem o próprio eu com seus proprioceptivos corpos, azumbrados, e deslizam, e abrem, e fecham, e reandam ao laré da maré, ao léu do céu, tal qual fizeram todos os átomos, por épocas, períodos, eras e éons, até lhes chegar a vez de translumbrarem, patenteando a Si e pro Orbe o fulgor severo de seu vero Ser: o Um!


CHAFARIZ

(Da página 3030, Livro Décimo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Iulia está nos braços do amante, e Cleona abraça-o por trás. Chafariz: prece diária do Homem a Deus; chuva: prece vasta de Deus ao Homem... Terrar e Iulia entrelaçam-se e fundem-se, feito o chafariz e a chuva. Essas águas unem a Arte do Homem à de Deus, casto espetáculo, já invisível, onde exterior vira interior e é só deles.


A ESTRADA, NA SERRA DA CANTAREIRA

(Da página 2239, Livro Oitavo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

A senda terrosa é quase plana ao longo da sérrea crista, donde declina, rumo ao asfalto. Essa naja negra coleia no bosque, pois enxerga imagens da antena no éter, radicada fundo na pedra do tope: radiantes ondas, serpentes no acéter. Odiando a célia vaidade do homem; dilatando o colo, timbrado e oblongo; na ladeira longa de lisas escamas: paralelepípedos tão bem polidos! ao sopé da rude montanha descende; toda a língua bífida e os dentes entranha, na vida cinzenta do mar de concreto: reto, levadiço e levípede leviatã.


ALI... NO CANTO ESCURO!...

(Da página 467, Livro Segundo de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Desmancha-se em vermelho a gédia de Rá. Em sangue. Universos de sangue... Doze espectros de idade consomem-se em doze trínticos. Espalham-se em vermelho negro no chão trevoso.

- A mente se desmancha também... Vai sumindo. - pronuncia o enkinho, em débil murmúrio. - Estou apagando... Findando...

Não sinto... mais nada...

Pai! Mãe! Bio!... Já não adianta!... Agéo a Vocês! Eu os beldo muito!...

Estou... morrendo... aqui... no escuro... E o monstro continua ali... ali... Ali... no canto... esc... - e Rá prossegue no combate contra as trevas, circunvolvendo idéias repetitivas, pendulando, perivagando o avantesma por detrás das cílias cerradas.

Ali... medo... no canto... terror... escuro... pavor... Ali... pó... no canto... pena... escuro... mágoa... Ali... pesar... no canto... revolta... escuro... maldade... Ali... tentáculos... no canto... quelíceras... escuro... chifres... Ali... fetidez... no canto... repugnância... escuro... o asco... Ali... ulceração... no canto... gangrena... escuro... ocaso... Ali... extermínio... no canto... aniquilação... escuro... o caos...

Ao redor do enkinho em transe de morte, traços de negro sobre fundo preto desenham o nada no vazio. Contornos de coisa nenhuma... dentro de nenhuma coisa. Molduras de géon sem gédons, vibrações sem freqüências, luzes sem cor realçam o quadro de tintas espessas, onde os pêlos urticantes do pincel da Angústia espargem rastros de tatarana nas feridas da Dor. Toques de mãos sem dedos, olhares de rostos sem olhos, beijos de bocas sem lábios, aragens dos vácuos infindos trazem lamentos de sementes estéreis, perfumes inodoros de flores sem pétalas, brotadas na lama viscosa da Escuridão...


VOA, LARANJA!

(Da página 715, Livro Terceiro de Géa, versão ilustrada - que você pode ler agora mesmo em CCDB Livros!)

Voa, Laranja!

Voa, bela das naus do Cosmo!

Voa, ao pego do Fogo dos fogos mesmo!

Voa, de todas as flamas, para as mais intensas!

Voar! na Luz das luzes, guardada por nove Trevas!

Navegar! pelo assaz vasto mar do casto magma iônico!

Mergulha, bem fundo, no fim dos fins de todos os mundos!

e

Submerge, segue alciônico, na suprema explosão nuclear!

Timoneia Rá, Maior Piloto da Espira, no imo da estrela!

Pilotar! ao âmago, e lá tomar do astro o teu nome!

Acompanha teu nume amigo, ó nóxia Tóxia!

Telária tóxica, da sanha mortal!

Vai, leal, até onde

Telária nenhuma télia jamais teceu, num rasgo desafiador!
Atura a loucura dura do comandante, ó ávido bio de vida!
Entrega teus sonhos só; rebenta mutante, nutante máquina escrava!
Mas põe nas craveiras mãos, rebento imaturo, do filho do Criador!


ESPAÇO!...

(Da página 1034, Livro Quarto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!) (a fala é de Talia, órfã)

- Espaço!... Adorado e pacífico espaço! Pleno de estrelas e luzes de Deus! Berço gélido de esferas ígneas!... Infinito suspiro portador da saudade... até algum lugar, onde possam estar meus pais; onde possa estar Douod; onde sempre estar se possa... - pronuncia a voz tilintante da menina tridéltica.


ERA UM PÔR-DO-SOL PENSATIVO...

(Das páginas 1100 e 1101, Livro Quarto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!) (fala a menina Talia)

- Memorava a Terra... Ao ver o escuro; imaginar como será Géa... lembrei-me da partida. Naquela ocasião; pela última vez, olhei as colinas no horizonte, aspirei o aroma das flores e vi entre nuvens tristes o pálido brilho do Sol. Era um pôr-do-sol pensativo, de testa toda enrugada... E o Sol se foi, acaso para sempre. Desci as escadarias do Portal do Ritmo, e o céu sumiu... Daquele mesmo lugar, a 410 saltaria à negrura amarga do espaço. E meu planeta fugiu; imitou meus pais quando nasci; voltou-me a face sombria; minguou, no ocaso da distância... Naquele instante, entendi como a existência é curta! Douod sorria, levava-me pela mão à Fronteira da Luz; e meu sentimento era treva...

Medo de, nunca mais, nesta carne, ver tanta coisa querida! Calcar dedos na areia da praia; ter-lhe os cristais entre as unhas! Ouvir ondas troarem nos ares; ser-lhes as brancas espumas! Lançar grãos, pelas mãos, vegetais; crer igual eles na terra! Cantar sã, feito as aves nas matas; ler-lhes o amor nas alturas! Despertar coa febril passarada; luz das manhãs odorantes. Corricar, e pular, e então dar; só de dormir muito cedo. Pra sonhar tudo igual como dantes; ...na cama enluarada...

Na viagem pela flor Galáxia, teria as estrelas por sós companheiras; polem perdido no humo do espaço, e não as mesmas... Vivi, envelheci e faleci, num momento... Morta, morri de novo, de saudade da vida...

Rá afugenta a palavra de insistente métrica, ouvida e não pronunciada: “nua, na cama enluarada”... e veste-a de ternura, ao murmurar: - Compreendo... Mas saudade é passado. Você tem saudade do futuro. Em Géa, isso se chama “pressaudade”...


CANÇÃO DE ESPECTRÁRIO GEÓCTONE

(Da página 1190, Livro Quarto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

“Você fez muito na gédia!

Inda mais vai fazer!

E o muito já feito,

Ninguém fez, só Você!!!”

Essa é a letra da canção de espectrário geóctone! Os convivas cantam-na primeiro coa melodia original e depois a adaptam à melodia da canção tridéltica, liderados por Sérias e Louriage. Marhá Marardi improvisa duas etérilas com o bio e, ao lado de Clária Gálat, executa a rítua com acordes majestosos e floreados, para nem o maestro pêntio botar defeito!

(você pode cantar a Canção de Espectrário geóctone coa melodia da Canção de Aniversário, do planeta Terra)


ONDE AS RETICÊNCIAS TÊM SÓ DOIS PONTOS..

(Das páginas 1594 e 1596 - com duas páginas de ilustração entre elas -, Livro Sexto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

Írios em brasa com a poeira, a secura, o calor e o géon, o jovem senhorio custa a habituar-se à escuridão dentro da casa. O penetrante aroma da liquardente, conservada numa das divisões do edifício em tonéis de madeiras escolhidas, é percebido com perfeição. Som, nenhum: o rumor da peleja entre os bolineus, a bufarem além no gieiro, não alcança o interior da morada. Em cromats, os érios de Clausar ganharão plena acuidade: capacitar-se-ão a captarem os ruídos dos hexápodes, as carícias da brisa e os sussurros dos moradores de tão quieto ambiente, onde até os nomes próprios parecem iniciar com minúsculas: macláusio pra cá, mãelíqua pra lá, seu clausar pra acolá, e onde as reticências têm só dois pontos..

..o jovem começa a enxergar as cadeiras rústicas, a mesa de madeira coberta por velha toalha, o chão de gia batida coalhado de manchas geosas, filtradas pelos buracos das telhas rendadas de télias; estuda as grossas vigas enegrecidas de fuligem, suportes das tesouras triangulares, propugnáculos do telhado; descortina as tranqüilas telárias negras pintalgadas de amarelo, tecendo ali mesmo suas telas em orbitelos raiados, afladas no zéfiro da existência. ..os írios acostumam-se a tudo isso.. e, em silêncio, alguém entra a sala. ..o coração do decaevo troveja e salta no peito: a intensidade do batimento supera, de longe, a pulsação da nônada do tiroteio..

..vestido verde-líqua rasgado desde a axila té abaixo da cintura, sem mais nada sobre a pele alvíssima, passa subrindo a mais estonteante loura de írios verdes, bela e donzela em seus treze espectros de idade, como nenhuma outra já contemplada. ..ela desliza da sala ao corredor escuro e corre para a cozinha lá no fundo, não sem entreparar, incendiar o espírito e destruir a razão do jovem geóctone, com o iriar mais enigmático dos mundos..

..por um tríntico, a exuberante kena eleva-se na ponta dos pés e fita o enfeitiçado de frente: esse iriar é doce, profundo, lânguido e inocente. ..num estato, ela gira o rosto e deixa as pupilas fixas no inda minúsculo clausar; as íris esmeraldinas entreluzem-se-lhe nos cantos das cílias; e o iriar torna-se-lhe arisco, matreiro, perspicaz, desafiador. ..o corpo gracílimo acompanha-lhe o rodar da cabeça, emoldurada por longos e fartos cachos soládicos; e a dríade foge. ..pelo rasgo do traje, flexo sobre as formas eurrítmicas, qual pelo nó oco de um tronco vislumbra-se a hamadríade, o géon traz e grava para sempre no pensamento de clausar a delicada imagem das pomas nuas, lácteas, ebúrneas, edules, intatas..

..é Únia! e com ela o silencial ambiente ressoa as maiúsculas, as reticências recrescem e cobrem o atrôo do coração de Clausar!...

Clausar e a vestal Únia cartearam-se durante dois espectros. O rapaz geóctone permanece virgem e acaba de completar dezessete primagéas. A namorada fez quinze, há pouco. Namorada sim, posto não se houvessem beijado. Pejados, peles arrepiadas na brisa, corações incendiados de paixão, limitam-se a iriares amorosos, a andarem de mãos dadas na líqua álgida dos afluentes, a irem pelos leitos rasos cobertos de seixos rolados, a derivarem sob a abóbada das frondes hecaspéctricas, a respirarem o criogênico díox exalado pelos pulmões intatos da selva inexplorada e gédia, a escutarem os ruídos da mata, os pios dos pássaros, os murmúrios do Ky.


COMO AS ESPIRAS TOCAM-SE NO INFINITO...

(Das páginas 1611 e 1612, Livro Sexto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

É lúmia. Não chove. O céu carregou-se de nuvens negras, pois finda a sazão da seca. Com seus habitantes selváticos, o solo aguarda as carícias da túrbia, pronta a despenhar das alturas. Todos os seres silenciam, em respeitosa espera: temeriam acordar a íria, e ela, zangada, expulsar as nuvens com um sopro de luz. O dínamo (o gerador de corrente contínua) enguiçara, e Apostônio foi ao engenho para desengatar do eixo da turbina o alternador (o gerador de corrente alternada) substituto. O géon das luminárias extingue-se espasmodicamente, acompanhando a desaceleração do alternador. Todos repousam em seus leitos ou redes, pois de manhã deverão partir. Na pista, Bumboi, o minuto bimotor de nacela bolhada, já foi preparado e abastecido pelo comandante Altoiriando, a lembrar, saudoso e só, do brado “Ases! às asas!” do ritmo da boa guerra... A última chama de candeeiro apaga-se... e passos suaves distanciam duas silhuetas para o meio da treva absoluta, no gieiro. Clausar e Únia avançam, pé ante pé. O geóctone acena, junto aos próprios írios arregalados, tentando enxergar os dedos. E logra ver... o nada!

Como pode aquela jovem kena ter segurança ao lado dele? Ele, totalmente incapaz de reconhecer qualquer coisa (se coisas há) na escuridão; ele, solto no vazio, impossibilitado de voltar à casa-grande. Dele, temeroso de pisar a hýpna (com sua estupenda vantagem dela, de enxergar a quentura dos corpos) ou de calcar o agressivo rabistíngeo, resistente até às explosões nucleares?

Clausar detém o passo. Perdido na sombra, livra-se do medo: se a gédia reserva-lhe a surpresa da morte, não há lugar melhor para morrer! Então, enlaça a delgada cintura de Únia sem desprender-lhe a mão suave; puxa a kena contra si bem apertada; suspende-a alguns centitrezêmbilhos, com a simples contração do poderoso bíceps; e, no escuro da lúmia, sente a boca anelante da virgem aproximar-se. O hálito perfumado transfaz tato em visão: Clausar enxerga no breu! Iluminam-se os dois na Géa do afeto... e os lábios colidem, como as espiras tocam-se no infinito, suavemente. Interpenetram-se humores, encaixam-se formas, roçam-se papilas, sugam-se carnes ardentes, trocam-se vermelhos sabores de néctar!

O ósculo dura eternidades, sem ultrapassar estatos. Únia desvencilha-se, assustada, recompõe-se e guia Clausar com algum sentido desconhecido em meio ao negrume. A ninfa nascera ali; o éter da gia a imbui e atrai-lhe os pés delicados pelas trilhas sutis. Silente, a magnética sombra leva o amado pelo declive, alcança o canal da comporta, equilibra-se ao longo do muro, tateia a parede do engenho oculto na lúmia, pára e volta-se para novo beijo. O fragor das cachoeiras nas pedras e o trovejar da líqua na turbina verte em enérgica sinfonia. A Natureza aplaude, o ânimo da rocha deliqüesce... e o mineral chora lágrimas de êxtase, cortinas de gotículas suspensas no ar. As esférulas líquidas umedecem a pele e o traje, ousam purificar a pureza, encontram a Géa maior do Beldo, gravitam e escorrem cálidas, para contarem segredos ao chão.


EU VIA... O VENTO!

(Das páginas 1278 e 1279, Livro Quinto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

O geóctone pensa em voz alta:

- Em tantos espectros, cruzando gias e areias, senti o sopro gélido, o bafo quente, as lufadas arrogantes, a poeira abrasiva do ar em movimento. Foi preciso Gia construir esta casa; mudarmos para Rio das Valvas; deitar-me na laje dura, lá em cima; fitar o zênite; perder na visão periférica o contato com os muros da área, tão ampla; ter adiante a imensidade anil, os cirros plúmeos, as alvas nuvens estiradas, sobranceiras, preguiçosas; perceber a concavidade atmosférica; projetar a consciência ao espaço exterior; recordar a curvatura azul e branca do planeta; para (senão quando; súbito; de repente) assustar-me coa imperfeição de meus írios, cansados, velhos, e descobrir: não eram eles; a imagem não tremulava no embalo trôpego das falhas nervosas de um cérebro decadente: eu via! Via velozes vagas vazias; virtualidade viva; vácuo viril viajando vibrante, varando vaus, varejando várzeas, visando vales, voando vasto!... Eu via! Eu via... o Vento! E estremecia!... Vapores de miragens; prestidigitação; mágicas mãos invisíveis, acenando efeitos de estroboscópio no céu; refração modulada; ondas transparentes, rápidas como as nuvens transfixadas pelas aeronaves; os fotogramas; o piscar de írios; as listras das bandeiras farfalhantes nos turbilhões das guerras; os lençóis dos varais nas tempestades; os iônelos da Laranja na ionosfera; as costelas do gigante eólico passavam... Vinham baixas, quase ao alcance dos dedos, insensíveis às cócegas daquele inseto minúsculo: eu; ali deitado; inerte; extasiado; surpreso com essas coisas impalpáveis cruzando céleres e viajando para longe, do oceano ao continente, em sua missão eterna; rajadas de AGEER incolor; vagas paralelas de horizonte a horizonte, estreitas, umas atrás das outras, arrítmicas, perpendiculares; e seu largo poder mal me afetava a percepção das alturas plácidas: as fazia trepidar, qual se alucinações fossem, feito imperfeições de meus órgãos sensórios; igual se eu não visse... o Vento! E estremecesse!

“Exegi monumentum aere perennius
Regalique situ pyramidum altius,”...
- recita o enk.

Clausar recorda o Epílogo, Livro III, Ode XXX, de Qüinto Horácio Flaco. O geóctone estudara os antigos textos tridélticos, e não se preocupava com seu livro sobre a Terra à maneira do poeta latino com o dele: “Concluí monumento mais perene, comparado ao bronze” traduz o objetivo de Horácio; menos nobre, se cotejado ao do enk. A Clausar, tanto faz a crítica ou a posteridade qualificarem sua obra de bronze ou de gesso: o propósito dela é servir, ser útil: se um enk ou kena for beneficiado, terá valido a pena. Ao contrário de Horácio, Clausar não tem nem se interessa por mecenas.


RETIRA O VÉU!

(Da página 1310, Livro Quinto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

- Retorna! Desperta! Retira o véu! - ordena o velho ao vulto, na segunda pessoa (como em Géa se fala aos mortos, a quem vai morrer ou aos intimíssimos). No estato, a imagem do velho e o próprio ar, no contorno de sua figura, contraem-se, distorcidos. A imensa gravidade e o incomensurável tamanho, compactados naquele corpo físico, superam quasares e buracos negros. Tal como flutua a agulha, sustentada pela tensão da líqua, recurvando a superfície bidimensional aquosa, o espaço-ritmo retrai-se, bem junto à silhueta do velho: ele não parece subsistir ali; sim, acolá, fora do mundo.

O vulto move-se e, graciosamente, puxa o véu a o chão... e puxa-lhe, outrossim, a os poros de cimento duro, temperadoras lágrimas, aos borbotões, dos másculos olhos tridélticos. Clausar sente o peso das írias nos ombros e cai de joelhos. Gia corre para o marido, pára e ampara-o de um lado; Rá, do outro.

- Terrar... - pronuncia a menina vestida de verde, como se acordasse de um sonho. Em vez de boneca... “- Miau!” - faz o felídeo cinzento, liso, pulando do colo a o pranto no piso, pisando entre as achatadas lágrimas, olhos anilíssimos. Nesse estato, a figura do gatinho no volante da 337 anima-se e captura maciamente a estrela entre protraídas garras, para nunca mais sol tal soltar...


SOMENTE O CHUCA-CHUCA

(Das páginas 1372 e 1374 (com uma ilustração entre elas), Livro Quinto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

Onde encontrarmos “kemãi” em vez de “kemãe”, “compoz” ao invés de “compôs”, “principaes” no lugar de “principais”, “á” com acento agudo (quando deveria ser grave), acentuação e pontuação incorreta ou inexistente e outras liberdades ortográficas ou arcaísmos, essa será a forma original, tal como Clária redigiu:

“A kemãi compoz os primeiros versos para o Barãozinho dormir, decantando-lhe os principaes caracteristicos. Ei-los:

Ele tem os irinhos
iguais ao da kemãi
tem a linda boquinha
tal qual a do enkpai

e o rico narizinho
é do enkpai tambem
somente o chuca-chuca
é dele, de ninguem...”.


SENHOR GÉO DOS INFAUSTOS!

(Da página 1383, Livro Quinto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)
(a "tortografia" é a costumeira de Clária...)

Sem providenciar espaço ou qualquer forma de separar as informações, Clária põe, logo a seguir, outra aventura de Clausar: “Oportunismo - Dois e meio espectros. Apóz o frikta, Rasek num rompante poético, (o cacófato é original de Clária) com Clausar Rasek sobre os joelhos, num ênfase todo 'Capo Branquense' (refere-se a Capo Branco, famoso poeta) coméça:

‘Senhor Géo dos infaustos!
Falai-me vós Senhor Géo
Si é impostura ou franqueza
Tanto pavor ante os espaços!’

(Clausar Rasek, irinhos fincados, segue os gestos e palavras num silêncio atento)

‘Ó oceano! por qual motivo não extingues
Com o fragor de tuas ondas
Da tua veste esses vergões!
Írias, montanhas, altitudes
Despenhai das infinitudes,
Vassourai os oceanos. Hurakyklões!...’

Clausar Rasek abre os braços e exclama: - ‘Conte uma história dum robocar cheio de capotas fechadas!’ ”.


UMGLAD!

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Do chão ferido; da cratera cavada no impacto do carro azul, surge a cerdosa crista crestada de um já não mavórtico elmo torto, deplumado e sem viseira. Ergue-se o capitel metálico. Sobe o colo táureo, altivo e nobre. Frente e costas da couraça fumegante são sacadas e de dentro da cova atiradas longe, com o laudel rasgado. Exuma-se o volumoso talhe, empolado de músculos metalinos, puxado por saxífragas mãos e braços hercúleos! Nas bicipitais cordilheiras de maciços nós a luz esfuzia! Pele rebrilhando glaciares sobre os brutos contrafortes do tórax, o corpo enorme se põe de pé; sob o lato cenho alto, os ares e o espírito sereno de um deus imortal.


NEFERTITI, JESUS E O ENKINHO RÁ

(Do capítulo "Kys", de Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Os oblíquos olhos nocticolores assumem a horizontalidade azul do silêncio, e só então o ósculo termina, deixando a marca indelével noturna e diurna do céu terrestre no Ky do enkinho, gravada por dois dos mais augustos luminares terráqueos: a Mulher-Estrela, fundadora da mais alta Ordem Mística terrena e o Homem-Sol cujo nascimento dá início à contagem dos milênios na Terra!


FAZENDA PEDREIRAS

(Das páginas 1452 e 1453, Livro Quinto de Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

Das várias propriedades rurais de dr. Vircéan, a Fazenda Pedreiras localiza-se em Monteiré, circunscrição administrativa autônoma do interior saliano, entre as turbulentas capitais Salo e Rio de Luminância, das homônimas unidades da federação Teruz.

A região planáltica deita-se esplêndida na eternidade mutável do continente, e não precisou dar o primeiro passo; pois não nasceu, mataram ou suicidou-se: existe. A meio caminho das metrópoles fermentosas; erigidas, ampliadas, ligadas, odiadas e amadas pelas arrogantes antênicas bípedes; o planalto dormita e não sonha abalos sísmicos: saudoso de arcos, flechas e carcases; totens, máscaras e dardos; ombros nus, tintas e tacapes; pés descalços, penas e pirogas; fumo, tabas e alvos ossos; vizinhos ares; farto de balas, mosquetes e polvorinhos; signos, triângulos e sabres; capas, cruzes e canhões; botas, bandeiras e galeotas; bujarronas, mastros e velas grossas; longes mares; lento e simples feito os gigantes, distrai-se, observa e sente os robocargos, roboggons e robocars passarem-lhe sobre o corpo, massageado pela brisa, bronzeado pelo géon, refrescado pela garoa, lavado pela túrbia, acupunturado pela rútila agulha do relâmpago, acalentado, apaziguado e nutrido por Géa.

A mansão-aeródino tem salões no corpo, do qual saem pares de lemes e asas, repletas de quartos para hóspedes. Duas estátuas de pedra branca representam potestativos venturas e vigiam, postadas aos lados da escadaria frontal da extensa varanda, cheia de redes balouçantes vazias, plantas de redondas folhas verde-escuras e flores esféricas rubras. Se fossem verdadeiros, os carnívoros estariam dormindo, enfastiados: pouco menos de ninguém freqüenta a sede, e os raros empregados domésticos entram e saem pelas portas de trás. Como pedra é pedra, os formidáveis predadores não podem mover-se no plano físico e, sob esse meduseu sopor, agem no imaterial, onde dão botes violentos, fincam as garras e cravam as presas nos pescoços irreverentes.


AS TURBINAS RUGIAM

(De Géa, versão ilustrada - que você pode ler já em CCDB Livros!)

As turbinas rugiam; as rapinas ululantes aceleravam, lanhando gilvazes na face do azul coas lestas lâminas alares; tirando silvos das bocas dos ares, rumo à garganta do zênite. Lá, os pilotos cortavam os motores; os aparelhos quentes volviam, silentes, o impulso em potencial e; no ponto morto alto, onde paravam e rebrilhavam metal polido no fosco anil; arrostavam a gravidade, exibindo agressivas formas fusóides ...para picarem, a pique de caírem no pó, e (quando outros ases duvidassem, arregalassem os írios, engolissem em seco e elevassem as mãos ao céu), retomarem a propulsão e nivelarem o lépido vôo rasado, vomitando árion, reboando fragores. Passavam tão rente, a ponto de Clausar cheirar de pronto o tonto combustível queimado e iriar a turbulência do ar, na trépida esteira transparente.


ALTARÉ

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

A fuselagem de Altaré é afilada e donairosíssima, cheia de conveses; alas; corredores; cabinas com largas vigias; pequenos e vastos compartimentos; severo tombadilho; porões limpos igual laboratórios genéticos; cozinhas silenciosas e impecáveis como as melhores bibliotecas; bibliotecas apetitosas e inodoras como as melhores cozinhas; casa de máquinas apta a alimentar vivedouros sonhos em qualquer engenheiro, antes de este cogitar o passadiço avançadíssimo; auditórios e muitos outros ambientes adequados a sua tripulação de escol, nenhum petecado qual os palácios estilo rococó e os transatlânticos atuais, onde os fuscos olhos ofuscados dos turistas idosos jamais obtêm o almejado repouso: do branco, do aço e do cristal, o esmero fosca as estelantes rutilâncias, e só brilha o tino da elite. Conquanto recorde o futurismo, a forma da nave lembra os grandes veleiros de treinamento remanescentemente utilizados pelas marinhas de Géa e da Terra. Fulcro da Nau, sobre o convés superior avulta a esfera de enerfrátax contentora da ponte de comando, em cujo centro se alça o ampletivo sólio de Intáctia.


AS ZÚNIAS-GIGANTES

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

As zúnias-gigantes seguem papagueando junto aos postigos; tautocronamente, na ponte de comando piscam géons coloridos, soam sinais, estrugem ordens abruptas em seqüência rápida, deslizam pêntios sobre ventosas úmidas, penduram-se aracnopólipos em colunelos metálicos e reciprocam ajuda octópodes, a lançarem-se de tentáculo em tentáculo a compartimentos de direção, de rastreio, de tiro, de escuta, de comunicação e dos demais tipos de funções exeqüíveis em tão complexa, densa e imensa nave. Parece balbúrdia dominada pelo deus do caos; contudo, para olhos, ocelos ou írios conhecedores dos cefalópodes, o moto é sem-parmente planejado, organizado, dirigido e controlado pelo sólido comando, e a treinada guarnição acetabulífera obedece-o igual poucos músicos tridélticos alcançariam sob a batuta do mestríssimo dos maestros... por ora.


O INCÓGNITO ATACA O PORTA-RAPINAS FATAL 8

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Saída da torva pérgola cujas colunas são interrogações; e as flores, os ais do horror; por um microestato a forma do objeto desenha-se no recôndito céu, envolta na malha de faíscas; mas não há mais ocelos, estemas, olhos e órgãos sensórios para captarem-lhe o contorno rendado; e como o encouraçado besouro tridéltico arromba a delicada teia, esmeradamente feita pela pequena aranha-de-jardim para capturar lépidas moscas, o incógnito atravessa e prossegue, conhecedor, só ele, da própria natureza, qual os pálidos defuntos conhecem o insondável Além!


REE

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Leve feito átomo de mosca; rápida qual pensamento de pantera; brilhante de cegar um fóton; Ree aproxima-se e coleia direto a Clausar. A géona dos dois invade os outros: onde está um, e máxime onde se acham ambos, uma palavra reverbera no inconsciente e transborda ao consciente dos circunstantes: sexo.


ENLOUQUECER

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Cogitações efervescem e retornam à consciência de Clausar, transformado em Alvíssimo: “...Acolá de simplesmente ser Géo: estar acima de Géo. Derrubar Géo de seu trono e não sentar nele: desprezar!!! Estar absolutamente a sós! Sem Géos, seres, universos! Ser só!... Ser Géo é pouco! Ser tudo, muito menos! Ser Eu! Sim! Só Eu! Nenhuma gédia a gediar, nenhuma luta a vencer! Ser a Morte! Muito melhor ainda: não ser! Não fazer conta! Ser louco! O mais louco dos loucos! O louquest! O único!... Entrar em retroalimentação positiva mental; oscilar, como os osciladores! Gerar loucura do nada, da própria loucura!... Isto é fugir? Sim! Fugir! Fugir às gargalhadas, da razão e da emoção! Rir na cara de Oég, passar o dedo no fio da foice, oferecer o pescoço e continuar gédio depois do golpe, decapitado! Perseguir Oég e tomar-lhe a arma! Picar um ao outro até virarmos rótrons, até sumirmos ambos e não sermos mais! Vingar-se da gédia! Derrotar o medo e a coragem. Enlouquecer varridamente! Enceradeiramente! Destruir tudo e, ao plantar a semente de outro Universo, esmagar a plântula!... Ou sucumbir à tentação e ser; ser, simplesmente, um novo Géo. Submisso à Existência, à própria Lei, à sanidade!... Talvez eu prefira mesmo a loucura!...”.


A PRIMEIRA LÁGRIMA

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Na ponte de comando de Altaré, o brilho alaranjado do Sol (visível sem necessidade de aproximação artificial) intensifica-se à proa e doura o ambiente. Louriage fita a estrela sob cuja luz nasceu, e uma lágrima diferente escorre-lhe na face: é a primeira lágrima doce secretada por um olho, desde quando olhos existem.


O SOMA

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

A radiação ofusca. Semideslumbrada pela semicerteza, Louriage cerra as pálpebras e não remexe o soma: sorve-o, lenta e deliciadamente, como se bebesse a Terra inteira.


O FIO DE CABELO

(Da página 2895, Livro Décimo de Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

A loura assume o comando e dispensa Cleona. Insoniosa, a mestra quer ficar na grande bolha do passadiço escuro, a cismar, sentada no sólio, cingida pelos astros dalém enerfrátax, pensando em seu futuro livro. Os luzeiros celestes não tremeluzem no espaço exterior: são firmes feito os devaneios de Louriage. Altaré aderna e volta numa onda gravífica; e a coma da valquíria cobre-lhe um olho. Súbito, ao leve balanço de um suspiro, a silhueta aneliforme dum pêlo invisível interpõe-se entre a pupila livre e as estrelas e, ao cruzar o caminho por onde vem lenta a luz e vai lesto o pensamento, tremelica-as; já furtivas e tímidas, já metediças e petulantes; prontas a plagiarem-lhe galáxias... Louriage olvida o livro, onde tudo pode, e reflete: “- Como pode um fio de cabelo eclipsar estrelas?!...”.


TORPENTE QUAL DAFNE

(Da página 3276 do Livro Onze de Géa, versão ilustrada, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Eucara guia Louriage ao camarote, ampara-a ao deitá-la de flanco e sai... A loura fecha os olhos de crisópraso... e a treva mais pura; livre de estriges, vampiros e pirilampagens; ocupa-lhe a mente. Súbito, os músculos contraem-se-lhe; o ebóreo seio palpita; e Louriage vai virando a cabeça devagar: teme fitar a face vazia da cama-beliche atrás de si, torpente qual Dafne, ao desfitar os olhos rútilos de Apolo, ao volver à própria alvura a derradeira mirada e ver vegetalizar-se-lhe a carne casta em loureiro, verde resultado de seu letal apelo ao safírico rio pai!... De fato!! Há alguém sentado ali!!! O peso de um corpo concavara o colchão, e decerto olhos intrépidos lobrigariam a sombra abstrusa do intruso na penumbra! Louriage volta-se de vez, e encontra... ninguém! Ente algum, vulto nenhum; nada lhe tomara assento no leito, pesar da incontestabilidade de o haver percebido! A loura gela, rolada a esse lado; e o fenômeno repete-se, do outro. Louriage então suspira, concentra-se e roga:

- Deus de meu coração! Você está em tudo; está em mim; e, assim mesmo, sinto-me só... tão só... Por favor! Acenda-me sua Luz, inspire-me sua Vida, estenda-me seu Amor!... - e a mesma Géa protetora, de quando usa o EXÓS próximo a planetas, envolve Louriage, como se Alguém maior a cobrisse com eterno e terno manto, impenetrável até para o Desrelacionador. Louriage aquieta-se, o pulso normaliza-se-lhe, a treva dá lugar à Luz Interior... Nesse fragrante ádito de Paz Profunda, a sóror adormece... e sonha.


EFÊMEROS GIGANTES DE VAPOR

(Da página 276 do Livro Primeiro de Géa, versão ilustrada, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Ao redor, a imagem das nuvens carregadas pelo vento dá tonturas de carrossel. Como se possuíssem vontade avassaladora, as líquas gasosas perseguem-se em desatinada ciranda, dispersam, recompõem-se, alteiam e esgarçam. Manifestam a gelada ira num ataque caótico de róseos coriscos, relâmpagos violáceos e centelhas azuis, detonando trovões e faíscas safíricas. Efêmeros gigantes de vapor, fantasiam oégeas nas neurálgicas cabeças globulosas, traindo sentimentos funestos por revérberos brancos e amarelados reflexos; insatisfeitos, sibilam rajadas quando não conseguem atingir e explodir em chuva uns aos outros, descarregando fúria nas líquas marinhas de Géa. Ziguezagueiam raios fulgurantes, rugem ventos furiosíssimos, chicoteiam saraiva e metralham o mar, num artefato giratório de arrepiar o Ky dos mestres armeiros e pirotécnicos.

(A cena transcorre logo antes da luta de Clausar e o bio-computador, na psiconave Laranja, contra o hurakyklôn, o furacão geóctone. Onde “líqua” significa “água”, no idioma teruzês, país Teruz, planeta Géa)


DA PÁGINA 320, LIVRO SEGUNDO DE GEÍNHA

(De Geínha, que você pode ler já em CCDB Livros!)

Não há escolha entre o conhecido e o desconhecido.
Qual entre passado e futuro, o rumo é um só.
Fora dele, o máximo que se consegue é
parar e ficar na ignorância:
o presente.

Porém,
às vezes, é preciso parar;
até mesmo, voltar atrás e recordar,
para obter força
e prosseguir.

A mim não importa rever o céu azul,
desde que possa sempre ver Você!


O JARDIM

(De Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

 
Não visite sempre
o jardim com sua amada;
pois, se a ama de verdade,
não conseguirá prestar
atenção às rosas.

 


A MAIS BELA FLOR

(Da página 1822, Livro Sexto de Géa, que você pode ler já em CCDB Livros!)

A mais bela flor
Do melhor jardim
Cuida das outras,
E anda, e fala, e dança, e corre, e vem, e
Para mim sorri...

 
É Dalgiza,
Com seu corpo de sol,
Seus cabelos de luz,
Sua boca romã
E seus olhos cedroí!

Verbete “romã” do Livro Treze on-line


LUCÍFERAS LETRAS

O sol nasceu destes cabelos,

Foi neles que ganhou sua luz

E deles ascendeu aos céus.

A alma de Dalgiza é o sol

E giza-me no azul a vida,

Lucíferas letras: Amor.

 

- CCDB para o Facebook, em 29-04-2016

Mais, de Dalgiza


 

Conheça neste mesmo site as poesias dedicadas aos livros de minha autoria:

Em Géa (Poesia de Bruno Tavares)

Abrindo as portas da nave (Poesia de Marconi Ricciardi)

Clausar e o significado da Guitarra de Ouro (Poesia de Carlos Alberto Moreira)


A leitura de “Géa”

Como analisar a obra Géa

Sugestão de leitura para análise de Géa

Introdução à leitura de Géa

Resenha e Público-alvo da obra Géa

Resenha mínima da obra Géa

Qual coisa é Géa?

Géa - o que é?

Turnê rápida pelo site para editores

 


No Livro Treze existem mais poesias, úteis para a composição de músicas. Elas se encontram outrossim no Geadágio.


É isso, amiga poetisa - ou amiga poeta, se preferir; é isso, amigo poeta! Encontrará mais poesia, na acepção ampla da palavra, se me der a honra de ler Géa! Você pode ler Géa e os outros livros de minha autoria e da autoria de meu filho RDB agora mesmo em CCDB Livros! - CCDB


 

Esta frase compus especialmente para esta página:

“Só quem conhece a verdade pode conceber a beleza da ilusão! - e vice-versa...”

CCDB

 


Última edição desta página CCDB 12 de Outubro de 2012