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Então eis amostras das poesias que encontrará no escrito Géa! Eu as dedico a meu pai, César Dias Baptista (na foto ao lado) - vate súpero a Ars, o maior poeta do Universo.
Nesta ilustração de Geínha, parte de uma poesia de meu pai.
Pelos dois links logo abaixo, leia a crônica de César publicada no Jornal "O Dia" (de São Paulo), contendo sua poesia "Lua redonda, redonda..." completa. Essa poesia e todas as de 1954 (o primeiro dos dez anos que meu pai publicou uma crônica por dia na série "Amanhece o Dia") acham-se no livro "Amanhece o Dia", lançado pela Editora Bartira. Tenho em minha casa dez livros com recortes de todas as crônicas de meu pai, um livro para cada ano de publicação. Somente o primeiro ano foi republicado em livro.
Escolhi esta poesia de meu pai, para mostrar nesta página, porque ele sempre a declamava - e ela inda me soa nos ouvidos com sua voz magnífica. Reouvi-a ontem à noite, recitada para mim pela própria Lua. Cheia, de um redondo cálido, dourava mais o meu lar que as luzes frias da rua. - CCDB 09-02-2009
Clicando nas miniaturas logo abaixo você verá em alta resolução e bem legíveis as páginas 55 e 56 com a crônica e a poesia "Lua redonda, redonda..." completa.
Poesia "Lua redonda, redonda..." página 55
Poesia "Lua redonda, redonda..." página 56
- CCDB
POESIAS DE GÉA E GEÍNHA
NOTA DE CCDB: na magna obra Géa, a diagramação do texto imita-lhe o conteúdo. Aqui, tal trabalho gráfico não me é possível e infelizmente se perde - mas está lá! ao seu alcance.
SUGESTÃO DE RDB (Rafael Borges Dias Baptista): para ler melhor o texto abaixo, você poderia reduzir (botão do meio, no canto superior direito da tela) a janela onde vê esta página e estreitá-la com o mouse. Assim, haverá menos caracteres por linha, e o movimento dos olhos é muito facilitado.
Estas poesias e muitos dos textos de Géa (e mesmo de meus outros livros), que soam como poesia, poderiam ser transformados em letras para canções por qualquer músico interessado em colaborar, nos termos da página principal deste site. - CCDB
SOLÍFUGOS OLHOS
(Capítulo Solífugos Olhos, página 1999 de Géa, versão não-ilustrada)(este texto não metrifiquei; mas, de tão poético e verdadeiro, resolvi inclui-lo aqui. Talvez você o sinta feito eu, que sempre choro, ao lê-lo).
Sisudamente dizem os mitólogos: “Os deuses criaram os mortais.”. Não seria o contrário? Não teriam os homens e os enks criado seus deuses para habitarem as alturas e os abismos? Não haveriam os gregos criado o Olimpo; e os hédeos, o Extasium?
Sejam os mortais os criadores dos deuses, ou dê-se o inverso; e se Clausar não tem mérito algum na gédia, hoje faz jus a um crédito ao menos: o geóctone acaba de criar nova deusa para morar de lúmia no Extasium e de cromat no Tenebrium, o Inferno dos hédeos.
Só quando Clausar se deita, a nova deusa é benévola, e o triomega liberta-se-lhe da influência; todavia, quando Clausar acorda, a déia encrudelece e, malevolente, mantém-se-lhe ao lado feito a mais implacável das sombras, a atiçar-lhe o lumaréu de dor.
Sem mais nem menos, a divindade foi criada por Clausar no estato quando seus írios fitaram outros írios; e esses írios eram os seus próprios, e estavam no semblante de Ky; e esses írios diziam agéo, na cor do mais profundo mar de Géa. Desse estato em diante, Clausar livra-se da deusa de lúmia, pois pode sonhar com Ky, e é perseguido por ela de cromat, porquanto precisa lembrar de Ky.
Súbito, Clausar conscientizou tão nítida e vera a presença da entidade recém-nascida, a ponto de lhe dar um nome: Saudade. E esse nome não satisfez o nomeador, pois saudade é coisa morta: aos poucos se decompõe e desaparece, qual os cadáveres.
Saudade igual a de Clausar não está morta: é gédia; está viva! Saudade viva cresce feito as crianças e torna-se adulta, forte, vigorosa! Mesmo assim, um cromat a saudade viva envelhece e morre. Porém, a saudade de Clausar não morreria jamais: é imortal! Por isso se tornou uma deusa, a nova deusa! E como não era bem saudade, pois não podia morrer, Clausar inventou para essa deusa outro nome, e esse nome contém a rima de saudade com eternidade; traz gosto de saúde, sal e ternura; é coisa de Sul - southern - e não tem idade, pois é eterna. A deusa passou a chamar-se Sauternidade...
Sauternidade: a Deusa da Saudade Eterna.
Sauternidade ostenta nome comprido, mas seus devotos - se assim devemos chamá-los - possuem todo o ritmo dos mundos para pronunciá-lo. Como não? Devemos sim, chamá-los devotos! Quem a conhece pode dizer o contrário; entanto, não quer separar-se dela: Sauternidade porta-lhes o mais doce sofrer!
Sauternidade talvez sempre haja havido. Entretanto; por junto melíflua e nefasta; parecendo dúplice, e revelando duas faces verdadeiras; é tão enérgica de modo a - quem sabe? todos até hoje terem evitado denominá-la. Clausar foi o primeiro e, por esse ato corajoso, merece ser considerado criador da diva.
Sauternidade é poderosa! Basta enunciar ou recordar-se-lhe o nome; e pronto: sente-se um aperto no coração; as palavras saem-nos entrecortadas; e a letra, já trêmula, arrasta-se-nos, trépida!
Seja bendito o teclado do computador, onde o escritor e o textor conseguem corrigir os erros e apagar os caracteres trocados uando - perdoe-me Leitora! Leitor! não sou capaz de corrigir a Verdade! - quando a divindade põe a cáliad - desculpe! - a cálida mão sobre a nossa, e volvemos os olhos e os írios a sua imabem... imagem lúcida, e ela sorri, e subri, e depois nos deixa por mais algum tempo, algum ritmo, para permitir os retoques no texto e a descrição de seu rosto, onde entreluzem, para mim e para Você, írios de mar profundo... os mesmos írios de Clausar e de Ky!
Se Wolfgang Amadeus Mozart escrevia de uma só vez e sem erros as suas obras, então jamais teve o desditoso privilégio de conhecer Sauternidade! Porventura a Deusa estaria longe da Terra de 1756 a 1791, às voltas com Penta Ro Bolinei; ou confinada na França, lecionando tudo ao Marquês de Sade, de 1740 a 1814...
Sempre existira, ou fosse desde quando nasceu, Sauternidade adquiriu diversos poderes, entre os quais o de refletir a cor dos írios de quem se ama (ou belda) e para sempre se vai; e para sempre se perde, feito esmeralda no fundo do mar profundo. Para Você; Leitor, Leitora; qual é a cor dos írios de Sauternidade?...
Sabe? Pensando bem, tanto faz a cor... em todos os casos possui um matiz especial, um fulgor líquido de pranto; e as lágrimas têm o sal marinho, são o próprio mar; e o mar é profundo, da cor dos írios de Clausar, de Ky e de Sauternidade...
São passadas duas mil páginas. Devo prosseguir, Leitora, Leitor, pois não tenho todo o tempo do Universo para contar-lhe a história de Géa. Gostaria de tê-lo; contudo, igual a Clausar (e acaso a Você), Sauternidade só me permite ser eterno quando me entrego inteiramente a Ela e quando sonho com Quem Lhe volveu meus solífugos olhos e se foi, empós dezesseis primaveras...
Sauternidade! A Ti dedico dezesseis sofridos parágrafos! Dezesseis anos de minha desesperançosa vida; eu, gêmeo de Artrus! Não fulmina - oh, Deusa das Deusas! com tua lisérgica Luz, este dedicado servo, até estar concluído seu trabalho! Até acabar esta infinitesimal pintura de teu acinético domínio, envolto em tuas ácidas unhas: a inacabável Géa!
NOTA DE CCDB
Conforme o Teorema de Clausar, existem inúmeros planetas semelhantes a Terra e a Géa. Em vários desses orbes há diversos escritores escrevendo a respeito de Géa, e alguns fazem parte da Irmandade Galáctica. O conjunto de suas obras interplanetárias iniciará um movimento assaz salutar para os mundos de civilização incipiente, melhor os preparando para o ingresso na comunidade da Via Láctea, a Kycla, e daí para muito; muito além.
O texto do capítulo anterior, “SOLÍFUGOS OLHOS...”, deveria pertencer a um desses livros. O autor é amigo meu, desde nossos primeiros contatos coa Ordem. Esse amigo escreveu o capítulo em questão, e resolveu não o publicar no próprio livro, para manter segredo de seu imenso amor e pungente amargor.
Ao ler o esboço da vasta obra, o capítulo retirado agradou-me sobremaneira; entristeci, ao vê-lo destinado ao reciclador e pedi-o para inserir aqui. Obtive o privilégio, sob condição de meu amigo não ser identificado, nem mencionada a esfera onde habita.
Preferi só contar a Você, Leitora, Leitor, a verdade sobre a origem do capítulo nesta página, seguinte às de sua leitura, para dar-lhe a mesma sensação de empatia vivenciada por mim ao ler o original, em contato direto com o autor; e, não, com intermediários. Por esse motivo aparecem os nomes dos gregos, do Olimpo, de Mozart e de Sade em lugar dos autênticos, e adaptei o texto para parecer meu.
Solicito-lhe o perdão pela manobra aética. Mesmo assim...
Lê, Leitor! Nalgum Universo, tua imaginação destorcerá galáxias, conformando-as às figuras de teus heróis, e tu serás Deus! Por ora, vai treinando coas nuvens...
Veja uma das ilustrações em que Sauternidade aparece .
(também este texto não metrifiquei; todavia, a partir do ponto onde Clausar começa a visualizar a guerra, se você o declamar com estro, notará um ritmo sincopado extremamente poético e que se presta té à música).
Há um espelho retrovisor PÁRA-LUZ, automaticamente ajustável, montado na linha de mira do canhão AGEER principal: quando algum objeto suspeito ou identificado como oégea aproxima-se por trás, fora do campo de visão normal do atirador, esse espelho retropanorâmico abre, reflete a imagem do objeto, inclui o colimador com dados para o tiro, e sua diafanidade varia conforme a emergência.
O enk faz a inspeção de rotina; e eis, entre os itens, o espelho retrovisor. Ao abrir-se-lhe, plena, a superfície refletora virtual ante o rosto de Clausar, este vê-se... e sofre súbita mudança no estado de atenção. Deixa os írios perderem-se; divergirem ao infinito, onde nada existe senão formas baças; e o reflexo duplica-se: agora são quatro írios, aquém do vértice focal. O cérebro reage, acha ponto firme de convergência; os quatro írios tornam-se três... e o írio do centro evidencia-se: sua excelsa nitidez supera, pérvia, a prévia experiência do enk e surpreende-o. Agindo ao contrário da Criação do Universo cantada pelos antigos lúmidos, o Quatro resume-se no Três, o Três abrevia-se no Dois, o Dois colapsa no Um; e, por trás do Um, está o Impalpável: o Nada; o Tudo. Clausar recorda-se dos livros devorados na juventude, onde o terceiro írio é comentado por místicos; lembra-se das visões de nímio fulgor do KSE; e, mesmo assim, o írio central no espelho PÁRA-LUZ tem certa géa distinta, a presença até então jamais percebida pelos sentidos exteriores; o írio fala e, quando fala, identifica-se: é o dono da Voz Interior, é a soma da percepção dos dois írios físicos coa apercepção, íntima, do processo visório, e conserva-se ali; cada vez mais firme, fixo, real e poderoso; onipotente como se também incluísse, nos círculos concêntricos do diafragma íris cor de mar profundo e da pupila negra, não só o símbolo de Géo, mas o legítimo Ser Infinito; e inclui!
O írio central tem completo equilíbrio: aparece numa cavidade penetrante entre os contornos simétricos, à esquerda e à direita, de dois narizes, e estes se perdem no foco imperfeito da periferia, onde o par de írios originais continua a existir, em plano secundário. O írio do meio não tem os agudos cantos externos dos írios comuns e não pode iriar de soslaio, só de frente; termina de ambos os lados em fossetas lacrimais; e, se chorasse, inundaria o Cosmo. O írio não pode ser denominado “terceiro írio”; Clausar sente isso, chama-o triírio, e esse nome ecoa na mente poliglota do Galáctico, traduzido em neologismos de muitos idiomas, inclusive o português: triolho. O triírio nada tem de terceiro: é uno e trino simultaneamente; abstrai o ritmo; é único e primaz; conquanto seja um, é estereográfico e traz a surpresa da revelação; qual se, no fundo de um estereograma apresentado feito novidade a alguém, surgisse, aos poucos, até se firmar, suprema, a verdadeira imagem do Eu; e Eu fosse, como é, a transcendência do autêntico Géo, em Autoconsciência Absoluta.
Clausar quamnum tinha visto coisa alguma ou a si mesmo tão bem! Pela primeira vez a visão satisfaz-se per completo, no írio; e a Voz do írio prenuncia a guerra. Como se fossem todas iguais, a Voz recorda as expedições passadas. E com a Voz vêm as cenas, as sensações, não apenas, as ânsias das discordâncias, à ampla visão do Galáctico. O enk relembra os rompantes, dos comandantes, com suas perfeitas frases de efeito; vê coronéis, de veneta, predicarem a oficiais nos quartéis, e baioneta calarem, e falarem, ulularem, cortantes, aos circunstantes, reclamarem batalhas ferozes, onde pululem mortalhas atrozes, vilipendiarem os vícios, conquistarem seus objetivos, sem quaisquer motivos, ufanarem-se do erro, do trunfo, para alcançarem o triunfo, pelejarem pela peleja, praticarem crimes sublimes, e falecerem lutando; vê as esquadrilhas voarem, no rumo das armadilhas, estradas desorientadas, onde trôpegas tropas tropeiam; vê rapaziada mandada, à carnivoraz emboscada, surriada; vê fuzilarem andarilhos, maltrapilhos, detrações às convenções; vê blindado, incrementado, esmagar couraçado, antiquado; vê do primeiro as oégeas, do segundo perfurarem as égides, vê mísseis, oriundos deste, ricochetearem naquele; estranha os estratagemas, os temas do estrategista; aberra no submundo, fecundo, das bugigangas, da guerra, divisa divisas nas mangas; ira-se coa situação, da prostituição forçada, da esposa e mãe descasada, da filha aflita, esfaimada; escuta refrões vitoriosos, alados orfeões lastimosos, onde paranóicas vozes teoses heróicas solam, psicoses, prontas a perecerem; vê oficiais, em suas festas, mandarem o recruta às florestas; voa em reconhecimento, e ouve, nesse momento, do monomotor o lamento; mergulha sobre o tormento, escapa à metralha sonora, mapeia a base invasora; eria coragem nos brados, genk ficando pra ir-se, morrendo nos prados, detendo a voragem; sente grassar letargia, no magno exército idiota, e percebe a maior valentia, do húmil precito patriota; retrai-se contra a maranha, e ver o traidor o revolta, se mostra a orreta secreta, na volta e ao rés da montanha, guiando as falanges estranhas; fascina-se com tanta tática, do defensor diligente, se atrai repressores ingentes, pulando as trincheiras ocultas, pra delas surgir insepulto, seu destacamento de vulto, e seus antagonistas, estultos, caírem sem mínimo indulto; entusiasma-se com as respostas, céleres, dos comandantes, célebres, aos labrostas informantes: “- O inimigo vem qual maremoto sobre as gias baixas! - Então lutaremos em traje de banho!...”, “- Cairão igual túrbia de írias! - Cozinheiro: esta lúmia teremos írias no espeto!”. “- Arrasam e comem nossas plantações como praga de insetos!”. “ - Próximo plantio semearemos telárias!...”; freme coa grande perícia, dos capitães a malícia, cruzando esses mares, relheiros, matreiros contratorpedeiros, perseguindo, rindo, bailarinos submarinos, com lestas ogivas ativas, artes evasivas; vê transações intrusivas, de sabotagem, explosivas; vê seqüestros, rastros, deserções, estafas causadas por medos, estros, lampejos de enkismo; escuta discursos, recursos, ditatorial governismo, negam fatos, armamentismo; avalia a relatividade, de toda belicosidade; ausculta textores, fatores, das imortais odisséias, descobre os ardis literários, sumárias prosopopéias: valorizam seus adversários, visam correligionários; segue a contagem do ritmo, ao longo das cenas verazes; admira os caracteres fortes, às vezes vorazes; subri dos boçais linguajares, dos rígidos militares, da mangação da caserna; acompanha os preparos eternos, da fria campanha moderna; avalia a possibilidade, da felicidade na guerra; estuda as habilitações, de quem vai às difíceis missões, a lídima história de feitos, defeitos desfeitos, da língua a versatilidade, os vãos da personalidade, o alvo anormal do sucesso; vê matadores gerarem guerreiros, punhais enkcidas virarem espadeiros, bandido assumir liderança, esquecer os portões de poupança, arrombar os portais dos rivais; vê drogados desalentados perseverarem, e de resolução suportarem, pra lá do seu último alento; bambeia a estrutura da mente, então quase cai louco, demente, ao se transfigurar combatente; vê as flores fragrantes brotarem, dos veros valores rorantes, no fétido lodo da guerra; verifica os planos, os mapas das serras; estuda estratégias, maquetas completas; procura escondidas escutas; lê a lei do pior entre os casos, e acaso só mata inocentes; espia espiões; avista vistas imprevistas, tempera-se nas tempestades, cisma sismos; contrasta ataques, as sanhas e as manhas, do valente e cruel oponente; põe a guerra na métrica, cética; impõe do inimigo a estética, aética, a moralidade esquelética, e o topa na mesma verdade; vê soldados abandonados, pelos fardados já retirados, cansados de assassinar de longe, esgotados de retalhar de perto, fartos do feio faro fúnebre, prontos pra titubearem, e ante o ofensor se deixarem cair direto ao nadir, varados por lâminas flâmeas, contra o petroso menir; vagueia, tonteia, em círculo; pela selva enleia o corpo na teia, dos ramos das trônquias gigantes, na gafa, da emocionante estafa; sente os odores das drogas, a freqüentarem ferinas feridas, a curetarem consciências, a desmembrarem verdades, arrancarem falsidades, metidas na mente abatida, ciências, para enganarem captores; cheira esse odor de gangrena, morena, imagina os horrores, das dores, das cacetadas, dos torturadores, ocultos nos bastidores, sobre as varizes; vê narizes dos defrontantes, nos elegantes tuteios de dantes; não há mais fótoma em punho, duelam de canhão na mão; os dois derradeiros guerreiros, na luta final, sem o bem, sem o mal; quem vencer sobre-resta, e avalia a valia, da contumaz covardia, a estupidez doentia, da intrepidez vazia; e admira a bravura, de quem simula cordura, para iludir o inimigo, e salvaguardar os amigos, só pra sobre-sofrer.
Clausar tenta respirar, interromper a prolongada experiência, e não consegue. Lá de dentro, a Voz mussita: - Aguarde; há mais.
O Galáctico ajuíza a fealdade rígida, a hígida ingenuidade, das fardas em bardas, prontas a passaportes darem, aos ingentes e fortes agentes, e os disfarçarem; horroriza-se com o som de um tiro, no coração da Beleza, viva, esquiva, quando a espiã ruiva é morta, mesmo sem certeza, e coa vã gargalhada da Guerra; pra ela, não é bela a carne; sim, saborosa; pesa a capacidade, se a autoridade lesa, julga a pulga; glosa o inventor, da firmamental fortaleza, impedido de entrar na base, tal a esperteza: o bandido lá penetrou, e a trancou; treme coa regressiva fase, dentro do detonador, motor de plásticos explosivos, bombásticos; atesta à festa dos praças, no centro das graças, à buzinação dos navios, às acrobacias macias, das aeronaves tardias, à exultação dos triunfantes; soluça, com nó na garganta, perante a expressão da amizade, bastante, só, tanta, bem forte, mui além da morte; contrasta com o medo o heroísmo; fuça, vê findarem trezentos, basta, o segredo é altruísmo, para barrarem oitocentos, milhentos, cruentos; quase enlouquece ao pensar, sobre a doidice da guerra, se é bisonhice matar, se é inútil, fútil, ou se a lide tem dirimente, e decide: é premente, deve ser feita, quando a saída é estreita, para a sobrevida, como na Natureza, na selva, na relva, na quente matéria da artéria, com sua defesa; hesita na perplexidade, conflito de pessoalidade, conexidade, ínguas da dificuldade das línguas, das costumeiras barreiras, dos povos beligerantes, mutantes; pára e ampara no ar, o flácido general, moribundo, calvo, rotundo, alvo, e o perro confessa o erro, gabarita a miséria, espirita a matéria; vê plácida vesperal, zona de serenidade, azes de ases audazes se divertindo, indo, vindo, transvestindo, lindo, na tona da saudade, teatralizando tragédia, inédia, comédia, nédia, rindo de verdade, para olvidarem a era, de ares amenos a menos, duradoura guerra, sonharem pazes vindouras, gozarem quimeras, lembrarem o passado, pais, esposa, filhos, raposa, lar deixado, e do lugar a nobreza, do bosque, onde rola aspereza; parola consigo, perigo, se essa harmonia seria a calmaria fria, do írio do hurakyklôn, senão bonança perversa, de antes da majestade, da avança da tempestade; acena e a cena versa, pro tombo do corpo louro, detido, partido, desdouro, levado pelo suicídio, dissídio, excídio, e o rombo, com tiro no céu da boca; vê do outro lado o lúmido, o ventre dilacerado, úmido, aberto com seu facão, por certo, na obrigação, de honra, desonra; salta de pára-quedas, a altas medas, missão treinada, presta, comando na floresta; quando há cilada; escapa do acidente, à socapa, furtivamente; nos lestes agrestes; milita no coleguismo, dos mílites do alpinismo, nas trilhas das guerrilhas, e freme com o ardor temerário, das fêmeas mais aguerridas, garridas; perambula pelo enkikome, improvisado; pula o mangue de sangue, contaminado; tem fome; nauseia coa feia cadeia; respeita quem nega até, a seita de cega fé; estafermos, mas recuperam os enfermos; comemora o namoro na guerra, onde a rosa decora o imo foro, odora mais forte, e de cujos escombros, sujos, cinéreos, etéreos, morte medra na altura dos ombros, na pedra, no prado florido, estrutura o ferido, amorna nas primaveras, de veras ternuras, deveras, canduras entre as panteras; aplaude, encanta-se, recanta a gesta; carrega com desassombro, no ensombro, os heróis bem acima da testa, à enfesta; enfrenta os dilemas, de profanar os esquemas, as íntegras regras; é fácil tergiversar, para evitar alçapremas, às vezes molestas, funestas; vê passar lá no alto o vulto do Deus da Guerra, em seu carro guiado por Medo, escoltado pelo Terror; e a cada patada golpeada, pelos ékulos flamejantes, nos cúmulos ribombantes, atroam tropéis, coam rastos de sangues, no azul taful, como langues pincéis, azucrinando o fruto bruto dos uirapitangues; e a esteira das crinas inteira se esfuma; e rincham os corcéis, e pecam, defecam bolas de esterco; elas incham no cerco, sobre as cidades, soturnidades; o vivo excremento rola, abrasivo, pelo cimento; cola, campeia, imola; o adubo pubo planeia; o estrume organiza, gere; controla o chorume, digere a ojeriza; e as fezes são comestíveis, revezes, munição, combustíveis, pra perpetuar o profundo mar nauseabundo, e situar os cativos ativos, no campo de concentração imundo, podre odre infecundo, chamado mundo!
Clausar sacode a cabeça e estapeia-se no rosto. Lento e lento lhe volta a imagem do triírio. O írio absoluto atenua-se e reaparecem, aos lados, os outros dois. Enfim, de três, os írios no espelho refazem-se quatro. O foco retorna do infinito para alguns centitrezêmbilhos; o enk envesga e vê outro triírio, estranho, aparentemente maléfico; desenvesga e revê sua face, tesa e pasma.
Tudo isso foi a guerra do passado, por demais apresentada, representada e reapresentada nos livros e nas seqüegéticas, onde todas as guerras se parecem. E as guerras atuais? As guerras não eclodem mais entre mundos, como prenunciaram os velhos e bons livros de ficção; sim, entre nações interespíricas e interdimensionais.
(esta, sim, é poesia "de verdade"...)
- Desencantam-me as telas dos túneis... Telas das derrotas... Prefiro divagar... devagar... Hum... Pervago, alucinando de novo.
- Como são essas alucinações, Criador? Posso ajudá-lo?
- Maw! Tóxico do abisso; zúnias inexistentes! Não salte sobre elas, Enk da télia redonda! Palpajar-lhe-ei quando forem reais; então, assalte-as! Mawmawmaw.
- Obrigado, aos dois. As alucinações estão em tudo, bio. Cada distante aglomerado de espiras é a mão gafada de tempestuoso gigante a estender-se-nos; cada espira, um dactilograma brilhante do monstro, impresso na lava torva do céu; cada íria, um rútilo poro entre as dobras cuticulares da polpa do polegar imenso. E o vórtice é o olho oco do ciclope terreal Polifemo, desolhando o Universo, reabsorvendo-lhe o poder da visão, para reconstituir a vista vazada!
- Não posso deixar de admirar-lhe a expressão, Clausar! Brilha, qual esférulas de pérolas; ilhas na vida das ostras quérulas!
- Maw! Ambos parecem recitar versos de télia do Kytelária! Já experimentou poetar, Enk da télia redonda? Poetar assim:
Mawmawmawmawmaw...
- Profetas, poetas, estetas; lunetas, paletas, obras completas; jacamins-de-costas-pretas; escorropicha-galhetas, oligoquetas; pega-varetas, poliquetas, porta-baquetas; tetas, tretas e mutretas!
- Isso não vale, bio! É truque de computação sem intelecção! Quer enganar-me e a Tóxia? Ela, sim, fez a estrofe correta!
- Perdão, Mestre Clausar... Seu discípulo é um fracasso!...
- Sua poesia resume-se em arrebanhar vocábulos de terminação semelhante, por meio de máscara de consulta ao banco de dados. Ao menos, trocou-lhes a ordem alfabética, no começo. Mas, melhorará: como intelector tem quase tudo pra versificar...
- Maw! E suas alucinações? Conte pra nós! Mawmawmaw.
- No fundo de mim, sou atirado para trás no ritmo...
- Assim não, Mestre: em poesia! Ensine-me como se faz!
- Pois bem, meus amigos. Por este fio de cabelo (pois não uso bigode ou barba), sacrifico-me aos deuses Cores e imploro-lhes a chama; porquanto aprendiz; e, não, mestre; eis quem sou.
Ao eriar o invitatório do enk, Tóxia tece entre suas duas primeiras pernas esquerdas uma lira de télia e põe-se a tangê-la com as duas primeiras pernas direitas, extraindo sons suaves, dignos de acompanharem as odes dos poetas gregos. Clausar subri e procede:
- Oh, Cores! Oh, deuses! Acatai-me, no espectro multicolor, a neve intata da artéria e, com vossos prismas fotônicos, pincelai-mo inteiro no arco virgem do sentimento! É vossa minha primeira poesia; e, com doze estâncias, compô-la-ei, em culto a Vós, os Doze. Inclino-me a celebrá-la com versos dodecassílabos, para novamente venerar-vos doze vezes; ora os limitarei a onze sílabas, pois limitado sou. Ó deuses! Ó Cores! Cantarei o abismo!!! Escutai!
Clausar termina as doze estâncias. Posenk e Tóxia guardam silêncio. Súbito, a telária salta sobre a fronte do enk e, rápida qual pensamento, tricota-lhe bela coroa de louros, coa télia inesgotável. Comovido, o geóctone agradece o laurel; e Posenk fala:
- Parabéns, Mestre Clausar: quem faz doze estâncias assim faz doze mil. Gravei-lhe os versos e meditá-los-ei longamente, para aprender-lhes a técnica, igualá-la e com Você digladiar!
- Ou superar-me, Posenk! Um intelector tem mais recursos lingüísticos; eu, desrelacionado, desmemoriei-me: não recordo a maioria das doze estâncias; rimas ricas e pobres, lançadas ao vento!
Mais sobre Vergílio você encontra na página mais visitada deste site, Nem plágio nem coincidência, e também em CCDB Notícias.
Veja uma ilustração de Géa que se refere a uma das estâncias de "Habito muito além daquela estrela".
(Você pode conhecer a história de Ars, o maior poeta do Universo, lendo Géa! Eis um trecho de sua grande obra, mais um poucachinho da poesia "de verdade"...)
Clausar não presta atenção ao debate de Tóxia e Posenk. O geóctone abre reverentemente o maço, retira e guarda a figura animada, aí folheia o midiel. Quando lhe identifica o texto, exclama:
- É o poema de Ars! O melhor escrito em Árgilos! Quem sabe traduzido pelo computador... E tem uma parte sublinhada! Pelo assunto, Gravirreatância quis referir-se a mim, ao sublinhá-la!
- Maw! Palpaje-a para nós, Clausar!
- Não p-posso, Tóxia: t-tenho a v-voz embarg... - e Clausar volta a derramar lágrimas sentidas, sem escondê-las.
- Mawmawmaw. Eu mesma palpajo. O traslado para o teruzês deu certas rimas pobres, mas o computador até se saiu bem. - Clausar lampeja um orgulho, ao memorar a poesia perfeita, toda em rimas ricas, a qual dedicara a Homero durante a dança de Ky no asteróide; e Tóxia, de cima do seu ombro, fixa os ocelos da frente (os maiores e mais sensíveis) nas estâncias grifadas de Ars. A telária firma nova âncora de télia, agarra coas quatro pernas de trás alguns fios no tecido da camisa do enk, eleva as quatro pernas dianteiras, tece em duas delas uma lira, põe-se a tangê-la com outras duas, abre os palpos e as quelíceras e declama, no mais pungente palpajar:
Como boa poesia não pede explicação, Clausar simples pensa alto: “- M-mãos s-são bissexuadas: encaixam-se como os umunos; daí ‘m-macho e fêmea’... Céus! O estro imagético de Ars rivaliza Vergílio!... Pelos deuses Cores! Talvez o supere! Os amigos dão-se as mãos através do planeta!... E Gravirreatância dá-me a mão através da morte!”. - e o enk verte o último pranto do estoque. Tóxia engasga, a lira de télia emaranha-se; e Posenk baixa a cortina da realidade sobre a cena fantástica da amizade:
- Detecto tela com imagens de violência: reproduz fatos divulgados pela GGG, redes da Terra e de planetas similares.
(A história de Ars está contada no capítulo "Vida dentro da Morte", do Livro Onze de Géa, entre as páginas 2563 e 2566. O Poema de Ars aparece no mesmo livro, entre as páginas 2599 e 2604.)
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Conheça e baixe ao seu computador Uma Canção para Ars, de autoria de Bruno Tavares, composta para a letra da poesia imediatamente acima e gravada por ele próprio com sua mesa de áudio CCDB44 !
Conheça e baixe ao seu computador a música Em Géa, também de autoria de Bruno Tavares, baseada na história de Ars, contada na obra Géa.
(página 2738 de Géa, versão não-ilustrada)
Tóxia rodeia a cabeça do enk nu, tecendo-lhe uma coroa de louros, e palpaja enigmaticamente: "- Em nome da técnica de Síncope! Maw! Qualtum, Clausar, entre bilhões de enkóides, Você superaria os demais e venceria a Morte?". Clausar capta a idéia, improvisa versos hendecassílabos e com cada espadeirada, dada sempre nos mesmíssimos lugares, faz coincidir cada acento, o icto:
- Porquanto a alar vontade sobe e é tanta,
De a queda do Universo ater num verso,
Do solo ao céu mais alto me alevanta,
O impulso da Ecoespada, e ao Cosmo eu terço!
Um furo faço no aço azul do espaço,
E à Morte abraço o baço braço forte!
De sangue, dela, à dança, o colo traço;
De todos a quem mata dou-lhe a sorte!
Pela cadência, Oég antecipa e apara toda a esgrima. Quando Clausar percebe a habituação da Morte à métrica, age como Síncope e passa a fustigar Oég arritmicamente, ora nas tônicas ora nas átonas, sempre em lugares imprevistos; muda os versos para dodecassílabos; elimina as rimas e declama, em contínua aceleração:
- De teu corpo magro, fatal esqueleto,
Farei aos pedaços os pálidos ossos!
Em vez de poupar-te com arte e tocar-te,
No último verso co a ponta da espada,
Te firo, te furo, te corto e te aparo.
Com cada palavra esta lâmina viva
Teu sangue de pó verte, espalha, retalha
E te dá por mortalha alva poeira de morte!
Descompassando a luta, suando estrelas, rorejando sangue, Clausar afinal consegue ferir Oég, várias vezes! E os ferimentos recentes não doem, pois a estesia da lâmina é a anestesia... Tóxia e Posenk deliram, em polvorosa; e até a Morte subri, de admiração!
Veja a ilustração que corresponde a esta poesia!
QUANDO CHEGAM OS GALÁCTICOS AO PLANETA GÉA, A BORDO DO IMENSO DISCO DO TEATRO CÓSMICO ABERTO, QUE ENCOBRE AS ESTRELAS NO CÉU, ASSIM SAÚDAM COM ESTENTÓREA VOZ A RÁ, ANIVERSARIANTE, E A SEU AMIGO TERRÁQUEO, CHAMADO TERRAR
"Rá!... Terrar!... Rá Terrar!... Terrar e Rá!...
Rá e Terrar só!... Terrar e Rá só um!...
Rá e Terrar só um são!... Unção a Terrar e Rá já!...
Já a Rá e a Terrar a unção se deu!...
Nove planos galgaram desde o seu!...
Só no céu se sobe ao onze, ao doze e ao meu!...
E no treze há o Nada, o Tudo, o Todo e nenhum!...
É o da Géa, o de Géo, onde recomeça o Um!...
Rá!... Terrar!... Rá Terrar!... Terrar e Rááááá!!!..."
CLAUSAR CANTA PARA HOMERO
Eis Clausar, atirado pelas ondas ao passado da Terra aos tempos da Ilíada. Ao ver-lhe cantar na treva o autor à lira, o enk age:
Desfere ao Ida as estrelas feridas
Pela érea choupa dourada de anéis
Do rei dos reis, maioral dos Atridas.
Os lumes vibra té os numes, fiéis:
Do aedo cego a agudeza o seduz.
A curva ao céu concaviza convexa,
Desata e rapta de Jove alma luz,
De Homero ao cenho mil olhos anexa!
E Clausar acorda: sonhava dar olhos ao argos dos videntes...
(página 1084, Livro Quinto de Géa, versão não-ilustrada)
Ira-me e apura, ó ruiva Ivura!
Vem-te, inocente, e em dor desvaira!
Uiva-me, Ivura, ó ruiva pura!
Ri-te; sê faca, e faz-me a chaira!
Ata-me e arruína té a ternura!
Ira-me e apura, ó ruiva Ivura!
Vem-te, inocente, e a dor atura!
Uiva-me, Ivura, ó ruiva pura!
Ri-te, desvaira, e dá-me a cura!
Ata-me e arruína té a ternura!
Eco//Ruiva!
Parágrafo poético de Clausar para Cástitas, a bipsica ruiva (em prosa).
ACEITA-ME!
(página 1367, Livro Sexto de Géa, versão não-ilustrada)
Afrodite! ó Afrodite!
Aceita-me, na beleza das palavras,
a rosa, a maçã e a murta,
e transforma-mas, nuas, em amor!
Eu to devolverei com mais belezas,
para rogar-te o mesmo amor,
pois não desejo mais amores!...
HINO DA TRIGONODON
(página 1998, Livro Nono de Géa, versão não-ilustrada)
Igual a música, a letra do hino da Trigonodon é incomplexa, entanto qualifica e inclui o oficial de comunicações entre os poetas. Um pequeno, ingênuo e incipiente aedo, cheio de ardor por sua astronave, apto até a incluir o nome grego de Belona (Enio), a deusa da guerra, nas iniciais de seu singelo e desrimado carme.
O hino de Flaco não correrá “embalde desde então o infinito”, como o grito de Castro Alves, pois o infinito tem orelhas, até nos troncos das árvores caídas.
“Êh! piratas da espira nós somos, hô, hô!
Na Galáxia e no só turbogravo, hô, hô!
Inexiste navio tão fogoso, hô, hô!
O mais bravo é a Trigonodon! iô, hô, hô!!!”.
AMORES
(da página 2872 de Géa, a primeira com texto, no Livro Treze, versão não-ilustrada)
A chuva cai, e ama, e se entrega, e é amada, e some no solo, e não é
Mais ela mesma, e não é mais amada.
O mar cai coa onda, e ama, e se entrega, e é amado, mas não some na areia:
Recolhe-se, volta a ser ele mesmo, e recai noutra onda, e em outra,
E mais outra; sempre caindo, e amando, e se entregando, e
Sendo amado, e voltando a ser ele mesmo, e sempre amando e sendo sempre amado.
Não seja a chuva: seja o mar!
AMAZONAS, O COMANDANTE PIRATA DA TRIGONODON, CANTA AO ALMIRANTE OCTOPOCÉREBRO, ZOMBANDO DO HINO DA COSMONAVE PÊNTIA FATAL 8, DESTRUÍDA PELA PRIMEIRA
(da página 1902, Livro Nono de Géa, versão não-ilustrada)
Para espanto geral (e mortificação de Cérebro, o qual tapa com um tentáculo o próprio bico), surge a imagem tetradimensional de um simples homem, de obscuro planeta do outro lado da Telária. Suas vestes são sujas e rotas, usa turbante, traz na destra uma esfera de brilho leitoso e a sinistra escondida atrás das costas. Com sorriso de escárnio e bela voz de tenor, o terráqueo põe-se a cantar:
- “Em sangue as ventosas alcei,
No céu do inimigo sou rei!
E faço-me a glória e a vitória;
Nos astros, memória notória,
De Penta, de Ro Bolinei!”.
O OITO
(da página 817, Livro Quarto de Géa, versão não-ilustrada)
A forma do canto escuro eleva-se, flutua no ar sobre o liquário, baixa ao corpo físico de Octopophobos e vai ajustando-se-lhe exatamente a todos os contornos, até se interpenetrarem. As vozes de Phobos e Deimos unificam-se. Já se não distinguem, gênito e genitor: fundiram-se, dois Kys num só corpo.
Originadas na desesperançosa mente do pai, Deimos, alcançam o ar as pentatentáculas fatais, lai formado pelos últimos cinco versos do longo poema octossilábico (se contarmos a sílaba fraca final) mnêmico recitado até esse estato por Phobos, o filho...
- Eu sou do Géon o OITO...
OITO no espaço me deito...
Do OITO o laço desfaço...
OITO! OITO! OITO! OITO!
Desenlaçar; abrir: OITO!!!
Assim foi pronunciado por Deimos e Phobos o grupo de oito caracteres faltantes no código de disparo da bomba maldita! Vinte ondas tricúspides de vingança, uma de cada coração pêntio!
MAS OS LOUCOS PERDURAM...
(da página 1045, Livro Quinto de Géa, versão não-ilustrada - o texto no livro é formatado como simples prosa)
Nada mais é tão tranqüilizante... como rir, desdenhar e ser são... da loucura dos outros diante... mas os loucos perduram, e eu não!... A gleiquênia não vem do Quênia, nem do samba a sambambaia; só a loucura vem da cura, se do médico o louco é cobaia!...
E A KENA ESPEROU DOIS ESPECTROS...
(da página 1614, Livro Sexto de Géa Ilustrada - o texto no livro é formatado qual simples prosa)
Coisa pouca mudara na gédia... de Clausar, filho e pai de Rasek. Descoberta das matas a Ritma, deu agéo a mil planos até. Com a firme intenção de casar-se, retornou dos estudos à lida. E a kena o esperou dois espectros, sempre terna, galvânica e fida.
ENTREAMAI!...
(da página 2195, Livro Oitavo de Géa Ilustrada - o texto no livro é formatado qual simples prosa)
“Desejos são certa cabeça da hidra: sepultados, não morrem! Matai seus desejos, vivendo-os!... Entreamai!... O solo tem raios; e o céu, raízes; Rá! Ísis! nestes mundos felizes, espelhos do seu!”.
Conheça neste mesmo site as poesias dedicadas a meus livros:
Em Géa (Poesia de Bruno Tavares)
Abrindo as portas da nave (Poesia de Marconi Ricciardi)
Clausar e o significado da Guitarra de Ouro (Poesia de Carlos Alberto Moreira)
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No Livro Treze existem mais poesias, úteis para a composição de músicas. Elas se encontram outrossim no Geadágio.
É isso, amiga poetisa - ou amiga poeta, se preferir; é isso, amigo poeta! Encontrará mais poesia, na acepção ampla da palavra, se me der a honra de ler Géa! - CCDB